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Coronavírus
NOTÍCIA

72% de usuários da internet no Nordeste buscaram informações relacionadas à saúde durante a pandemia

No Brasil, houve uma ampliação dessa procura entre os jovens, pessoas de menor escolaridade e das classes C e DE

Lais Oliveira
14:03 | 13/08/2020
A análise constatou ainda que 54% dos brasileiros com acesso à internet realizaram serviços públicos pela internet (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
A análise constatou ainda que 54% dos brasileiros com acesso à internet realizaram serviços públicos pela internet (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

 

Durante a pandemia do novo coronavírus, 72% dos usuários da internet no Nordeste com 16 anos ou mais buscaram informações sobre saúde. O índice é o mesmo da média nacional. No Brasil, houve uma ampliação dessa procura entre os jovens, pessoas de menor escolaridade e das classes C, D e E. As informações são da primeira edição do Painel TIC Covid-19, pesquisa sobre uso das tecnologias e hábitos on-line na pandemia divulgada nesta quinta-feira, 13.

Pelos dados, produzidos pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 73% dos usuários do Sudeste disseram fazer esse tipo de busca na internet. Na sequência, o Nordeste, em conformidade com o indicador nacional, teve 72% dos usuários realizando pesquisas relacionadas à saúde.

A seguir estão Sul (71%), Centro-Oeste (69%) e Norte (67%). A ação foi registrada por 77% das pessoas do sexo feminino que fazem uso da internet e por 67% dos usuários de sexo masculino.

Em relação ao perfil dessas pessoas que buscaram informação sobre saúde no País, a pesquisa revela ainda que o índice é maior entre aquelas que concluíram o ensino médio e pertencem às classes AB e DE.

A análise constatou ainda que 54% dos brasileiros com acesso à internet realizaram serviços públicos pela internet, principalmente pessoas de menor escolaridade e das classes mais baixas.

Além disso, pelo menos 71% dos usuários realizaram consultas, pagamentos e outras transações financeiras, sobretudo entre aqueles das classes C e DE. Isso se deve ao fato de muitos estabelecimentos terem atendimento presencial reduzido ou mesmo suspenso nesse período, o que potencializou o uso de canais eletrônicos.

Confira o relatório completo da pesquisa Painel TIC Covid-19 

Veja índice de tabelas aqui 

Dados sobre serviços realizados pela internet

 

Conforme o Painel, atividades de busca, pagamentos e serviços on-line avançaram de forma expressiva entre não usuários de computador, embora a intensidade delas permaneça maior entre os que fazem uso de múltiplos dispositivos (celular e computador).

Além disso, todos os índices tiveram ampliação em relação às pesquisas de 2019 e 2018, mesmo considerando um período de referência menor (três meses) que o da pesquisa TIC Domicílios (12 meses).

Atividades escolares on-line

 


A pesquisa também registrou um aumento das atividades e pesquisas escolares pela internet, reflexo da suspensão das aulas presenciais por conta da pandemia. O percentual de pesquisas escolares ou atividades realizadas on-line aumentou de 43% para 46% entre o ano passado e o atual.

Observando o recorte por nível de instrução nesse hábito, entre os indivíduos que cursaram até o ensino fundamental, houve aumento de 22 pontos percentuais em relação à 2019, segundo a pesquisa.

Além disso, foi registrado crescimento de 28 pontos percentuais no estudo on-line por conta própria com acréscimos mais expressivos entre as mulheres e nas classes DE.

A realização de cursos on-line passou de 16%, em 2019, para 33% neste ano. O índice de pessoas que estudaram por conta própria na Internet cresceu 10 pontos percentuais e ficou em 55% no levantamento do Painel.

A ampliação ocorreu principalmente entre os usuários com menor escolaridade e das classes C e DE. Essas atividades, no entanto, ainda são oportunidades aproveitadas em maior proporção pelos usuários com maior escolaridade e das classes AB, segundo a pesquisa revelou.

Durante live de lançamento do relatório da pesquisa na manhã desta quinta-feira, 13, o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, ressaltou a relevância social da divulgação das informações.

"Para nós, é extremamente importante nossa contribuição em coletar dados nesse momento, em que todos nós estamos muito dependentes da internet, para a população entender como isso mudou nesse período e, claro, para as política públicas", afirmou.

Como foi feita a pesquisa

 

Para obter essas informações, o Cetic.br, extraiu indicadores da pesquisa TIC Domicílios, a qual também realiza anualmente. Na etapa inicial, por exemplo, os resultados da TIC Domicílios 2019 foram recalibrados para a população da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao primeiro trimestre de 2020.

A análise apresenta dados de um universo de cerca de 100 milhões de usuários de Internet a partir dos 16 anos de idade, obtidos por meio de entrevistas on-line e por telefone realizadas entre os dias 23 de junho e 8 de julho de 2020. Ao todo, foram obtidas 2.627 entrevistas (97% por questionários web e 3% por meio de entrevistas telefônicas).