PUBLICIDADE
Coronavírus
NOTÍCIA

Após a morte do apresentador Rodrigo Rodrigues, entenda como a trombose está associada à Covid-19

A Covid-19 pode causar alterações no organismo que levam à incidência da trombose, principalmente em pessoas com predisposição a coagulação sanguínea

Ismia Kariny
17:00 | 28/07/2020
Apresentador Rodrigo Rodrigues morreu nesta terça, 28. SportTV abriu espaço para funcionários de outras emissoras se despedirem de Rodrigo  (Foto: Reprodução)
Apresentador Rodrigo Rodrigues morreu nesta terça, 28. SportTV abriu espaço para funcionários de outras emissoras se despedirem de Rodrigo (Foto: Reprodução)

A morte do jornalista e apresentador do SporTV, Rodrigo Rodrigues, chamou a atenção para uma das complicações associadas à Covid-19, que é a formação de coágulos sanguíneos que levam a quadros de trombose. De acordo com médicos, apesar de ser uma tendência observada em formas agudas da infecção, nem todos os pacientes com coronavírus chegarão a desenvolver essas complicações. O alerta é para grupos mais predispostos, como obesos, fumantes e gestantes, por exemplo.

A formação de trombos e êmbolos em pessoas infectadas com o novo coronavírus está associada à produção exacerbada de citocinas, que causam inflamações nas artérias e nos vasos sanguíneos, segundo explica o hematologista Paulo Roberto. “Os mecanismos que fazem com que isso ocorra são vários. A doença provoca a liberação de mediadores inflamatórios, como a citocina, que dentro da circulação [sanguínea] predispõe a inflamação local, de pequenos vasos”, detalha.

Segundo o médico, essas alterações nas paredes dos vasos, decorrentes da inflamação, podem provocar a formação de pequenos coágulos. E, com as lesões orgânicas, muitas vezes espalhadas pelos vasos sanguíneos, pode haver produção de novos coágulos que se agregam um ao outro e formam um trombo maior. “A própria doença pode predispor a isso. Mas não é só a Covid-19, as neoplasias, o câncer também podem provocar [formação de coágulos]”, afirma Paulo, que é também membro do Coletivo Rebento.

Ele acrescenta que os fenômenos trombóticos podem ser maior ou menor segundo a própria gravidade da doença. Entretanto, pessoas que já têm predisposição a problemas de coagulação do sangue correspondem ao grupo com maior risco de incidência da trombose. “A análise criteriosa do médico é importante para entender o que eles [pacientes] trazem de fatores de risco, como condições prévias de saúde ou situação clínica anterior, para traçar uma estratégia”, esclarece Paulo. Essas avaliações já fazem parte da rotina dos pacientes infectados.

“Trombose é uma tendência, mas não uma sentença”

Pessoas com obesidade, hipertensas, fumantes e cardiopatas, além das asmáticas e aquelas com enfisema pulmonar, são algumas que apresentam condições de risco para formação de coágulos exacerbados, de acordo com a médica hematologista, Paola Tôrres Costa. Quanto mais aceso o sistema de coagulação, maior a propensão ao desenvolvimento de fenômenos trombóticos, ela complementa. “Mas isso é uma tendência, não é uma sentença. Não significa que se você for cardiopata ou for obeso, e tiver Covid, vai desenvolver trombos ou êmbolos vasculares. Isso é um fator de risco. Também não significa necessariamente que uma pessoa que tem nada [dessas condições] não vai desenvolver”.

Segundo a hematologista, não existem medidas preventivas para melhorar a coagulação do sangue, mas é possível controlar as condições preexistentes, de forma a manter a homeostase equilibrada. “A homeostase é uma espécie de harmonia nos fluidos do organismo. Então, se você tem uma dieta adequada, e um controle do peso e níveis de açúcar e colesterol, você tem uma melhor homeostase e menor inflamação”, exemplifica. Em casos de pessoas em suspeita da Covid-19, a recomendação é procurar um médico e relatar tais fatores de risco, para que seja orientado testes de análise das alterações na coagulação do sangue, e um tratamento adequado.

Entenda o que causa a trombose venosa cerebral

A trombose venosa cerebral é uma oclusão das veias do cérebro, que é provocada pela coagulação no sangue, afetando desde pequenas a grandes veias. Apesar de ser uma condição comum, ela não é muito conhecida, segundo a neurologista, Fernanda Maia Carvalho. “O principal fator de risco é a pessoa ter alguma doença do sangue que aumenta a capacidade de coagulação, como a mutação do gene da protrombina; ou ter uma deficiência de fatores como proteína C ou S. Outro fator de risco bastante estudado é o uso de anticoncepcionais orais”, comenta.

Segundo Fernanda, que é também professora da Unifor e membro do Coletivo Rebento, a trombose venosa cerebral se manifesta principalmente no sintoma de dor de cabeça intensa. Outros sintomas isolados podem aparecer, como a sonolência intensa, que é capaz de evoluir para o coma. "O paciente pode ter epilepsia como apresentação inicial. E alguns pacientes têm o que a gente chama de síndrome de hipertensão intracraniana; então, podem ter situações de perda visual como fenômeno que abre a trombose venosa, por um aumento de pressão dentro do cérebro", complementa. Essa pressão pode ser acompanhada de dor de cabeça e vômitos.

A neurologista ressalta que a trombose venosa cerebral, quando reconhecida precocemente, pode ser tratada com a utilização de anticoagulantes ou técnicas para desobstruir as veias. Dessa forma, levando o paciente a cura completa da condição, na maioria dos casos.