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Coronavírus
NOTÍCIA

STF ordena que Ministério da Saúde volte a divulgar dados completos do coronavírus

Órgão havia deixado de divulgar número acumulado de casos e óbitos, além de mostrar apenas mortes ocorridas no dia, em vez das registradas

Bemfica de Oliva
00:35 | 09/06/2020
Alexandre de Moraes, ministro do STF (Foto: Nelson Jr. / SCO / STF)
Alexandre de Moraes, ministro do STF (Foto: Nelson Jr. / SCO / STF)

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, na noite desta segunda-feira, 8, que o Ministério da Saúde volte a mostrar os dados completos sobre a pandemia de coronavírus no Brasil. A doença já contaminou mais de 700 mil pessoas e levou mais de 37 mil a óbito no País.

A decisão foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele foi sorteado como relator de uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) protocolada por partidos de oposição ao governo.

Na última sexta-feira, 5, o site do Ministério da Saúde com dados sobre o avanço do coronavírus no País entrou em manutenção, e foi substituído no dia seguinte pela versão atual. Mais cedo, na sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) havia afirmado que os dados estavam tendo a divulgação atrasada, próxima às 22 horas, para que os números não fossem divulgados pelos telejornais do horário nobre. A Rede Globo, no entanto, interrompeu a programação para atualizar a quantidade de contaminados e óbitos assim que as informações foram liberadas pelo Ministério.

Ao contrário do site original, que listava os dados acumulados de infectados e óbitos, a mudança passou a mostrar somente os números contabilizados no dia. Houve, também, alteração no modo de exibição dos falecimentos: anteriormente o montante exibido era das mortes registradas no dia - que inclui óbitos de pessoas que já haviam sido diagnosticadas e também aquelas que ocorreram em dias anteriores, mas cujo resultado do exame só ficou pronto após o falecimento.

No dia seguinte à mudança, o boletim diário do Ministério, enviado a jornalistas, informou 1.382 novos óbitos, total de mortes registradas no dia, enquanto o site informava 525, somente o total nas últimas 24 horas. Sem a contabilização dos óbitos ocorridos em dias anteriores, mas cujo exame ficou pronto depois da morte, a divergência entre os dados foi de mais de 800 pessoas.

As mudanças levaram a iniciativas externas ao governo para monitoramento dos dados omitidos pelo Ministério. O médico João Gabbardo, ex-secretário executivo da pasta, anunciou uma plataforma online com atualizações de hora em hora sobre o avanço do coronavírus no Brasil.

Houv, por parte do Ministério da Saúde a sugestão de recontagem no total de mortes pelo coronavírus. A proposta partiu do empresário Carlos Wizard, que atuava como conselheiro do órgão desde 21 de maio e havia sido convidado por Eduardo Pazuello, que ocupa interinamente o cargo titular da pasta, para assumir a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Ele desistiu do convite após a repercussão negativa da proposta de recontagem.

O Ministério da Saúde está há 20 dias sem um titular nomeado. Pazuello, general do Exército sem experiência anterior na área de saúde, era secretário-executivo da pasta e ocupa interinamente o cargo de ministro desde a saída de Nelson Teich, que ficou apenas 28 dias no cargo. Teich assumiu o Ministério após a demissão de Luiz Henrique Mandetta, que teve atritos com Bolsonaro sobre as táticas de enfrentamento à pandemia

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