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Ceará testa pouco, mas é o estado que mais faz exames para coronavírus no Brasil

São 93 mil testes para Covid-19, dado absoluto bem superior a das 21 unidades federativas que disponibilizam o dado para comparação em tempo real. A taxa por milhão de habitantes é a terceira melhor do País

André Bloc
19:39 | 29/05/2020
Drive-Thru de teste para coronavírus (Foto: Aurelio Alves/O POVO)
Drive-Thru de teste para coronavírus (Foto: Aurelio Alves/O POVO)

A falta de transparência de alguns governos estaduais dificulta a aferição precisa dos dados sobre testagem para coronavírus no Brasil. Fato é que, desde o início da pandemia, o Ceará é uma das unidades federativas que mais realiza exames para confirmar a infecção pela Covid-19. O dado, porém, expõe mais a ineficiência dos demais estados do que a proficiência cearense.

São 93.466 testes até a última atualização da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), às 17h53min desta sexta-feira, 29. A cifra é maior do que a de 21 estados no Brasil. Não entram na conta São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas, Rio Grande do Sul e Tocantins, cujos dados estão pouco claros ou não disponíveis para consulta pública imediata. Assim sendo, entre as cinco unidades federativas mais afetadas pela pandemia, o Ceará é a única a exibir os dados.

Apesar da falta de dados oficiais, porém, pode-se concluir que São Paulo tem um número absoluto de testes maior que o Ceará. No estado paulista, são 101.556 casos confirmados de coronavírus. Assim, foram, no mínimo, 101.556 exames para a doença. A população da unidade federativa sudestina, porém, é cinco vezes maior do que a cearenses.

Na comparação por números absolutos, o segundo que mais testa é a Bahia, com 55.702 exames realizados. Essa margem cresce ainda mais se comparadas as taxas de testes por milhão de habitantes, já que a população baiana é de quase 15 milhões, contra pouco mais de 9 milhões de cearenses, segundo projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

Seguindo este critério, o Estado é o terceiro que mais testa. São 10.116 testes por milhão de moradores, abaixo de Amapá (17.530) e Acre (14.092) — ambos com população bem pequena, de menos de 1 milhão de pessoas. Na ponta oposta tem Minas Gerais, que aparentemente só têm níveis baixos de infecção porque simplesmente abdica de fazer exames.

Segundo o boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde mineira, até esta sexta-feira foram 21327. Ou seja, o Ceará faz 4,5 vezes mais exames que Minas Gerais? Não. O estado nordestino testa dez vezes mais que o sudestino. Mais uma vez, a proporção de população fala mais alto.

O governo Romeu Zema (Novo) faz 1.007 testes por milhão de pessoas, contra os já citados 10.116 da gestão Camilo Santana (PT). O dado cearense, porém, passa longe do ideal.

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A taxa cearense, referência no Brasil, é pior do que a de 96 territórios no Mundo, se acordo com o banco de dados do site de estatísticas Worldometers. Logo acima da Moldávia, com 10.054, e abaixo de São Martinho, ilha caribenha que faz parte da Holanda. Nesse ranking, o Brasil é o 125º colocado entre 215 territórios — isso sendo o epicentro atual da infecção. Acima do Paraguai, abaixo da Mongólia.

A taxa nacional de testagem, segundo o Worldometers, é de 4.104 testes por milhão de brasileiros. Melhor que a da Argentina, diga-se, que devia testar bem mais por ser vizinha do epicentro do coronavírus.

O dado empalidece em comparação com os epicentros anteriores. Estados Unidos, 49.365 testes por milhão. Rússia, 66.479. Reino Unido, 57.743. Itália, 60.909. Espanha, 76.071.

O que fica claro é que o Ceará não se destaca por fazer um trabalho brilhante de testagem. O Estado acaba sobrando apenas em comparação ao controle inexistente de outras unidades federativas sobre a sorologia de seus próprios habitantes.

O gráfico abaixo mostra as comparações dos dados dos 22 estados que disponibilizam publicamente o números de testes, tanto em números absolutos, quanto em proporcionais pela população.

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