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Coronavírus
NOTÍCIA

Índia apoia uso preventivo de hidroxicloroquina para coronavírus

Decisão vai na contramão de medida da Organização Mundial da Saúde, que suspendeu ensaios clínicos com o medicamento após estudo mostrar indícios de aumento da mortalidade de pacientes que passaram a usar a droga

16:58 | 26/05/2020
A retratação do estudo, assim como a íntegra da publicação original, ainda se encontram disponíveis no site da The Lancet. (Foto: Yuri Cortez / AFP)
A retratação do estudo, assim como a íntegra da publicação original, ainda se encontram disponíveis no site da The Lancet. (Foto: Yuri Cortez / AFP)

O principal órgão de pesquisa biomédica da Índia apoiou nesta terça-feira, 26, o uso da hidroxicloroquina como medida profilática contra o novo coronavírus, mesmo depois que a OMS suspendeu os ensaios clínicos do medicamento por questões de segurança.

A autorização do Conselho Indiano de Pesquisa Médica surgiu uma semana depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que estava fazendo uso do medicamento como medida preventiva.

Estudos empíricos e de controle de casos na Índia mostraram que "não houve grandes efeitos colaterais" com a ingestão do medicamento de forma profilática, segundo o diretor-geral do conselho, Balram Bhargava. No entanto, foram notados casos de náusea, vômito e palpitações cardíacas.

Na semana passada, o conselho indiano expandiu suas pesquisas para o uso da hidroxicloroquina como medida preventiva.

Segundo o órgão, todos os profissionais da saúde dos hospitais e alguns funcionários da linha de frente agora poderão tomar o medicamento de forma profilática por várias semanas sob rigorosa supervisão médica. "Recomendamos que a profilaxia continue porque não há danos. Podem existir benefícios", ressaltou Bhargava.

Ele acrescentou que, quando o conselho avaliou os riscos e benefícios do medicamento, optou por "não negá-lo aos nossos funcionários da linha de frente e aos profissionais de saúde". No entanto, ressaltou que o equipamento de proteção individual ainda deve ser usado.

As diretrizes anteriores do conselho indiano para o uso da hidroxicloroquina era permitido somente aos profissionais da saúde assintomáticos que cuidassem de pacientes suspeitos ou confirmados, além de casos nos quais tivessem contatos domiciliares com pacientes confirmados.

Na segunda-feira, a OMS anunciou a interrupção dos testes desse medicamento como tratamento para a Covid-19, após estudos questionarem sua segurança, acrescentando ter descoberto que o remédio realmente aumentava o risco de morte.

De acordo com as diretrizes clínicas da Índia para o tratamento do novo coronavírus, a hidroxicloroquina pode ser administrada, mas apenas para pacientes "em estado grave e em tratamento em UTI".

No Brasil, após pressão do presidente Jair Bolsonaro e queda de dois ministros da Saúde, o protocolo permite administração do medicamento também para pessoas com sintomas leves da Covid-19. A prerrogativa para receitar o remédio, porém, segue sendo dos médicos, com anuência do enfermo.

A Índia — que responde por 70% da produção global da hidroxicloroquina — registrou até esta terça 145.380 casos de Covid-19, e totaliza 4.167 mortes.

O país aumentou a produção desse medicamento em meio à crescente demanda, após Trump incentivar o uso da hidroxicloroquina como um tratamento potencial para combater o vírus.

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