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Coronavírus
NOTÍCIA

Confira cuidados para evitar golpes e fraudes durante a pandemia; saiba como denunciar

Com mais gente navegando, maiores são as chances de aplicação de golpes e de muita gente ser vítima de fraudes. A expressão de ordem do momento, portanto, é, mais do que nunca, bom senso

09:15 | 13/05/2020
Computadores e outros eletrônicos podem ser foco de contaminação do coronavírus (Foto: Júlio Caesar)
Computadores e outros eletrônicos podem ser foco de contaminação do coronavírus (Foto: Júlio Caesar)

Não é tão difícil encontrar vítimas de golpes e fraudes virtuais, muitos deles enviados até mesmo pelo WhatsApp. Antes da quarentena, principal forma de lidar com a pandemia do novo coronavírus, os casos no Ceará já eram gritantes, principalmente em período de fim de ano. Já nesse contexto de isolamento social, as chances de aplicação de golpes ou fraudes podem ser maiores, já que o tráfego de Internet aumentou em pelo menos 405 no Brasil, segundo Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará.

O POVO já havia feito matéria sobre o aumento do número de ameaças virtuais e de como pessoas e empresas podem se proteger delas. Dessa vez, o portal listou dicas, a partir da Defensoria Pública, de como evitar golpes de fraudes durante pandemia. Confira!

Ex-secretário municipal de Defesa do Consumidor de Fortaleza, o defensor público de Segundo Grau, João Ricardo Vieira, alerta para o cuidado que se deve ter com links enviados por Whatsapp, e-mails, mensagens de texto, ligações ou quaisquer outros meios de contato que ofereçam acesso facilitado a recursos ou tenham ofertas tentadoras.

“Se você não tem perfil de alguém que precisa receber ajuda do Governo e chega uma mensagem dizendo que você tem direito, desconfie. Se você recebe um Whatsapp com uma oferta do seu banco e seu banco não tem o costume de fazer isso, desconfie. Mesmo que a proposta faça sentido, o ideal é procurar informações oficiais. Você deve ser uma pessoa astuta e buscar em sites oficiais o que está sendo falado sobre aquilo, quais são as exigências para que a pessoa tenha direito e como está sendo feito o contato com as pessoas. É preciso ser prudente. Excesso de ingenuidade pode ser um problema”, diz ele, que já atuou no Núcleo de Defesa do Consumidor (Nudecon) da Defensoria Pública do Estado (DPCE).

Idosos, pessoas solitárias e quem tem pouco conhecimento sobre transações financeiras, especialmente as feitas pela Internet, acabam sendo o público mais vulnerável dos golpistas. A recomendação é: nunca fornecer dados de cartão de crédito ou de conta bancária a estranhos ou sites/aplicativos desconhecidos.

O mesmo vale para ligações telefônicas. “Você deve evitar que seu caso seja mais um caso, pra não entrar na fila de diversas outras ocorrências. Se puder evitar, evite. Pense: você precisa mesmo fazer essa compra? Você tem mesmo perfil para receber esse benefício? Se alguém te oferece algo e você não vê essa pessoa, não há como você pelo menos deduzir a intenção dela. Na dúvida, não aceite. Duvidar é um exercício que precisamos fazer. O momento pede que as pessoas ajam com cautela. Porque é nos momentos de excepcionalidade que os espertalhões agem com frequência e são mais ousados. Tem gente que age de má-fé, de caso pensado, pra ludibriar”, acrescenta João Ricardo Vieira.

Se você não teve acesso a essas dicas antes e já caiu num golpe durante a pandemia da Covid-19, o ideal é resolver o problema o quanto antes. Quando a ocorrência envolver o banco no qual o consumidor é correntista, a agência deve ser informada imediatamente. “Você deve entrar em contato com o gerente, informar o não reconhecimento daquela transação e solicitar uma solução num prazo razoável. Como os bancos hoje em dia oferecem muitas facilidades, como o pagamento de contas e efetivação de outras transações pelo site oficial ou aplicativo, ele é um fornecedor que tem responsabilidades para que essa facilidade não seja fraudada. Ele tem que oferecer algo seguro e atualizado”, detalha o defensor.

Caso o banco responda negativamente ao pedido de resolução, a recomendação é buscar os órgãos de defesa ou dar entrada em ação judicial. No caso do indivíduo comprovadamente de baixa renda, procurar a DPCE. “No caso de compras, há hoje inúmeros sites que vendem também produtos de outras plataformas. O ideal é que a pessoa compre só em sites confiáveis e, mesmo assim, veja a reputação do vendedor. Hoje isso é muito fácil de saber. Em caso de a compra não chegar, o vendedor sumir ou algo similar, o consumidor deve fazer reclamação online e procurar os órgãos de defesa. Muitos estão recebendo demandas pela Internet mesmo. É preciso deixar claro que mesmo que o site diga que não se responsabiliza pela compra já há um entendimento de que ele tem responsabilidade objetiva sim. Se ele não quiser ter responsabilidade, deixe de operar”, afirma Vieira.

E se o produto que comprei for falsificado? Fraudes também estão comuns neste período pandêmico, especialmente envolvendo produtos essenciais ao combate à Covid-19, como álcool em gel, luvas e máscaras. Por isso, o consumidor deve ficar atento e denunciar – se preciso, até à Polícia. “Álcool em gel falsificado é caso até de Polícia! É crime! É caso de fechamento da fábrica e da loja que tiver vendendo, prisão em flagrante de quem tiver atravessando o produto… Diante de uma fraude como essa, o consumidor tem que ser uma pessoa ativa. Se ele tem comportamento compassivo, se coloca em risco e permite que pessoas desonestas coloquem outras pessoas em risco”, pontua o defensor.

Ele reforça que em casos como esse a loja é obrigada a ressarcir o cliente. “Você pagou e fez negócio porque você quer o produto. Se você pagou por álcool gel 70%, tem que receber álcool gel 70%. Se comprou e recebeu outra coisa, é claro que você foi ludibriado. É uma situação típica de violação de direito do consumidor. Se traz prejuízo, é direito do consumidor pedir o reparo. Não só os danos materiais, mas danos morais também”, orienta.

Outros cuidados

Caso tenha sido alvo de algum golpe, A Polícia Civil do Ceará (PCCE) orienta a população a registrar um Boletim de Ocorrência (B.O). O registro pode ser feito pela Delegacia Eletrônica (Deletron), através do endereço eletrônico oficial: https://www.delegaciaeletronica.ce.gov.br/beo/

Leia também | Polícia Civil dá dicas de como se proteger de golpes virtuais em tempos de coronavírus


Confira dicas de como se proteger de golpes bancários, segundo a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban):

1. O banco não liga nem encaminha links por SMS, WhatsApp ou e-mail pedindo atualização dos dados, sincronização de token ou desbloqueio de cartão;

2. O site oficial para se cadastrar para receber o auxílio emergencial é http://auxilio.caixa.gov.br;

3. O cadastramento para receber o auxílio emergencial também pode ser realizado pelo app especifico da Caixa (para celulares Android e iOS), que deve ser baixado apenas na loja oficial de aplicativos do sistema operacional do seu dispositivo;

4. Não clique em nenhum link. Digite, no navegador, o endereço eletrônico do banco ou da loja em que pretende realizar a transação ou compra;

5. Sempre baixar qualquer aplicativo apenas da loja oficial do sistema operacional do seu dispositivo;

6. Não repasse seus dados para nenhuma pessoa intermediar a concessão do auxílio emergencial. Apenas a Caixa avalia e confirma quem é elegível ao benefício e eles não procuram as pessoas ou usam serviços de terceiros;

7. O banco não entra em contato para pedir cadastro de favorecido, transferências, transações para testes ou estorno de valores nem desbloqueio de cartão;

8. O banco não entra em contato para dizer que sua conta será bloqueada por falta de atualização cadastral;

9. Também não envia ninguém em sua casa para retirar seu cartão, notebook, computador, tablet, celular ou o chip dele;

10. E também não entra em contato para pedir atualização ou sincronismo de token;

11. Fique atento a links encurtados e desconhecidos por SMS ou e-mail. Não clique nem informe seus dados;

12. Mantenha antivírus e sistema operacional de seu computador sempre atualizados;

13. Evite plugar pendrives desconhecidos em seu computador, eles podem conter vírus;

14. Cuidado ao clicar em links enviados por e-mail;

15. Se estiver utilizando um computador pessoal que é compartilhado com a família, crie um usuário específico para as atividades do trabalho;

16. Configure senhas fortes em seu Wi-Fi residencial (evite senhas óbvias);

17. Altere a senha padrão do seu roteador;

18. Em caso de suspeita de qualquer comprometimento da segurança, altere suas senhas imediatamente;

19. Não utilize redes públicas;

Leia também | Um guia sobre como se proteger de golpes durante a pandemia