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Coronavírus
NOTÍCIA

Pesquisa traz que fortalezenses acreditam em isolamento social como ato de cuidado com o próximo

Entre os 1.424 respondentes do questionário, 83,3% disseram que praticam o isolamento social, enquanto 15,7% o fazem parcialmente e 1% não o pratica

Marcela Tosi
14:09 | 05/05/2020
Isolamento social não foi respeitado  (Foto: Fábio Lima)
Isolamento social não foi respeitado (Foto: Fábio Lima)

Para 90,6% dos fortalezenses, o isolamento social afeta a vida das pessoas interferindo na saúde física e mental, nos laços sociais, na vida profissional e na renda. Ao mesmo tempo, 83,6% acreditam que a medida contra o novo coronavírus significa, em primeiro lugar, um ato de cuidado com o próximo. Além disso, 97,1% acreditam que o isolamento contribui para conter a transmissão da Covid-19. É o que aponta a pesquisa “Práticas de isolamento social dos moradores de Fortaleza durante o Covid-19”, realizada pelo grupo de pesquisa Ciências Sociais e Cidade, vinculado ao curso de Ciências Sociais e ao programa de pós-graduação em Sociologia da Universidade Estadual do Ceará (Uece).

Por meio de um formulário eletrônico, o grupo buscou coletar informações sobre práticas de isolamento social dos moradores da Capital a partir de questões de múltipla escolha. “Os moradores foram surgindo naturalmente durante o período de aplicação. Por conta da pandemia, não pudemos sair aplicando questionários; então, resolvemos enviar pelas redes sociais, basicamente o WhatsApp, mas também o Facebook”, explica o coordenador da pesquisa, Wellington Maciel. “A gente não parte de um princípio normativo do que é o isolamento, mas daquilo que os moradores fazem quando eles afirmam cumprir o isolamento social.”

Quando confrontados sobre a responsabilidade para garantir o isolamento social, os participantes elegem, em primeiro lugar, o próprio cidadão (91,3%), vindo em seguida o governo (77,7%). Sobre o significado do isolamento social 57,5% afirmam que representa um ato de precaução para evitar aglomerações e 34,1%, uma necessidade imposta pelas autoridades governamentais e sanitárias (médicos e profissionais da saúde). Na opinião majoritária dos respondentes, o isolamento social não deve ser restrito aos grupos de risco (92,3%), nem às áreas mais ricas (99%) ou às áreas mais pobres (99,3%) de Fortaleza.

Diante desses achados, o sociólogo Wellington Maciel analisa que, “do ponto de vista das ações governamentais, o desafio é produzir o sentido coletivo para que as medidas alcancem alguma eficácia”. Entre os 1.424 respondentes do questionário, 83,3% disseram que praticam o isolamento social, enquanto 15,7% o fazem parcialmente e 1% não o pratica. Daqueles que praticam a medida, 96,9% ficam em casa e 76,7% não frequentam locais públicos (praças, praias etc.). “O isolamento social atravessa a sociedade nos seus diversos estratos. O que varia é aquilo que cada segmento social entende por isolamento social, mas todos praticam”, expõe Maciel.

O grupo da Uece percebe que ações coordenadas entre indivíduos e orientadas por um mesmo sentido podem contribuir para a eficácia das medidas de isolamento social, reduzindo seus efeitos psicossociais e econômicos. “Até hoje a gente tem uma confusão sobre qual é o sentido de se fazer o isolamento social. E a eficácia das medidas sanitárias passa exatamente pela confluência de sentidos dos indivíduos”, enfatiza o coordenador.

Outra conclusão alcançada foi a de que a imagem social construída sobre a Capital foi homogeneizada pela pandemia. “Quais são as imagens que surgem da cidade de Fortaleza em períodos ditos normais? A de uma cidade dividida pela pobreza, pela riqueza e pela violência. O que a gente viu é que durante o período da pesquisa essas imagens não reverberaram e sobressai a de que todos estão submetidos a um mesmo fenômeno”, explica o professor. “O que não é verdade. Fortaleza é uma das cidades mais desiguais do mundo e a população não está submetida da mesma forma. Há efeitos diversos a depender das condições de vida possíveis.”

A pesquisa foi aplicada entre os dias 14 e 20 de abril e contou com a participação de moradores dos 121 bairros da Cidade. De acordo com os pesquisadores, há um “ligeiro equilíbrio”, entre os 10 bairros com maiores participantes na pesquisa, de bairros com melhores e piores IDHs da Cidade. Em ordem de maior participação, aparecem Meireles (3,7%), Passaré (3,5%), Fátima (3,2%), Aldeota (3,1%), Messejana (3,1), Itaperi (2,8%), Maraponga (2,7%), Parangaba (2,4%), Montese (2,3%) e Cidade dos Funcionários (2%).

Mais da metade dos entrevistados pertencem ao intervalo de 30 a 49 anos (54, 8%) e se declaram como mulher (65,4%). Em relação ao grau de escolaridade e renda, predominou entre os entrevistados aqueles que possuem ensino superior e os que recebem de 1 a 5 salários mínimos (54,6%).

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