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Coronavírus
NOTÍCIA

Coronavírus: ilha privada de milionários está testando todos os habitantes,segundo jornal

Fisher Island é um dos bairros mais ricos dos Estados Unidos e, diante da pandemia, abriu uma clínica privada apenas para testar seus moradores

14:46 | 22/04/2020
A ilha fica vizinha à icônica praia de Miami Beach, mas já usufrui de um isolamento privativo - só é possível chegar ali de barco
A ilha fica vizinha à icônica praia de Miami Beach, mas já usufrui de um isolamento privativo - só é possível chegar ali de barco (Foto: Getty Images)

Em um país sem sistema público de saúde, uma ilha privada onde vivem milionários em Miami, na Flórida, chamou atenção dos noticiários e da população ao comprar testes para coronavírus e aplicar a todos os seus habitantes. Fisher Island é um dos bairros com maior concentração de renda dos Estados Unidos e, diante da crise pandêmica, abriu uma clínica privada apenas para testar seus moradores. As informações são do The Miami Herald.

A ilha fica vizinha à icônica praia de Miami Beach, mas já usufrui de um isolamento privativo - só é possível chegar ali de barco. O espaço tem mais de mil residentes, entre funcionários e moradores. Os proprietários são milionários e, em sua maioria, têm acima de 60 anos. Com a disseminação do vírus no país, resolveram comprar milhares de testes de Covid-19 para o Sistema de Saúde da Universidade de Miami (UHealth), uma entidade privada. Em troca, a Fisher Island demandou a testagem de todos os moradores.
Em entrevista à BBC News Mundo, a porta-voz da ilha, Sissy de DeMaria, confirmou o pedido. "Para minimizar ainda mais a disseminação na densamente povoada ilha, onde metade dos moradores têm mais de 60 anos e alto risco, a Fisher Island solicitou à UHealth que lhes fornecesse testes de anticorpos Covid-19 para todos os seus funcionários e residentes", explica.

As notícias sobre a exclusividade da ilha geraram revolta entre profissionais de saúde e nas redes sociais nos Estados Unidos. No próprio estado da Flórida foi necessário o governo estadual instalar oito clínicas móveis para atender comunidades mais afetadas - um comportamento não usual em uma nação dependente do serviço sanitário privado. A demanda foi tamanha que a capacidade diária foi elevada de 400 para 750 testes.

"Os americanos e, em parte, o resto do mundo, estão escandalizados ao descobrir que muita gente abastada pode usar seus recursos para conseguir vantagens quando tem uma necessidade médica, incluindo em uma epidemia", pontuou Arthur Caplan, diretor de Ética Médica da Universidade de Nova York, à BBC. "Quando não há um sistema que atenda a todas as pessoas, então existe um menor sentido ético de responsabilidade comunitária", finaliza.

O centro universitário UHealth reconheceu que a atuação na Fisher Island "pode ter dado a impressão de que algumas comunidades receberam tratamento preferencial", mas afirma, no entanto, que essa não era sua "intenção". "Um dos primeiros casos confirmados de coronavírus no condado de Miami-Dade foi em Fisher Island e muitos moradores estavam voltando do nordeste", a zona mais atingida pela Covid-19, destacou a porta-voz Lisa Worley da instituição em comunicado.

O sistema de saúde estadunidense funciona, essencialmente, com base em seguros privados. Um dos pilares são os seguros pagos pelas empresas aos funcionários. Com a adoção do isolamento social por vários estados norte-americanos, os trabalhadores deveriam ficar em casa. Contudo, no país não há lei federal que obrigue a concessão de licença médica ou férias remunerada.
Assim, milhões continuaram a ir trabalhar, arriscando contrair a doença ou, em caso de infecção, disseminá-la.

Desde o início da pandemia, segundo o Departamento de Trabalho dos Estados Unidos, 22 milhões perderam o emprego - e, por consequência, o seguro de saúde. A política de isolamento adotada pelos governadores estaduais gerou protestos no país, no que muitos veem como medidas autoritárias e uma tentativa do Partido Democrata de prejudicar o presidente republicano Donald Trump em um ano eleitoral.