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Coronavírus
NOTÍCIA

"São estudos matemáticos, não é achismo", afirma especialista sobre projeção do secretário de saúde, de até 250 mortos por dia em maio

O isolamento, segundo ele, vai apenas amenizar o impacto, ou seja, o número de casos deve se manter o mesmo, mas o espaço de tempo em que acontecem vai ser maior

Júlia Duarte
13:52 | 15/04/2020
FORTALEZA, CE, BRASIL, 14.04.2020: UPA do bairro Jangurussu recebe anexo com mais 40 leitos para pacientes com Coronavírus.  (Fotos: Fabio Lima/O POVO).
FORTALEZA, CE, BRASIL, 14.04.2020: UPA do bairro Jangurussu recebe anexo com mais 40 leitos para pacientes com Coronavírus. (Fotos: Fabio Lima/O POVO). (Foto: FABIO LIMA)

Em entrevista à rádio O POVO CBN, na manhã desta quarta-feira, 15, o odontólogo e especialista em saúde pública, Moacir Tavares, comentou sobre as declarações do secretário de saúde do Estado, Dr. Cabeto. Na visão do especialista, o titular da saúde do Ceará apontou que até 250 mortes por dia em maio é uma realidade possível, baseada em projeções. "São estudos matemáticos, não é achismo", destaca.

"É uma realidade concreta, é um fato, que pode acontecer", reforçou ele. O odontólogo comentou que a estatística pode variar em 100 e 250 pessoas, mas afirmou que o pico, que deveria acontecer já em abril, foi empurrado para maio, por conta do isolamento social. Entretanto, ele ressaltou como momentos mais difíceis estão por vir quando a epidemia atingir bairros da periferia. "Para nosso povo pobre que mora em uma casa que tem dois ou três cômodos e oito pessoas, esse isolamento social é bastante dificultado e duro", comentou. 

Ele explica também que o isolamento vai apenas amenizar o impacto, ou seja, o número de casos deve se manter o mesmo, mas o espaço de tempo em que acontecem vai ser maior. Esse espaçamento é pensado, principalmente, para aliviar o sistema de saúde. Segundo ele, as unidades já não estão dando conta neste momento.

O especialista compartilhou também a perda nesta quarta-feira, 15, do amigo e delegado Milton Castelo. Ele era presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Ceará (Adepol) e morreu em decorrência de complicações da Covid-19. "As pessoas têm que crer no que está acontecendo e no que os números mostram. Se acham que isso não é nada, elas estão arriscando a sua vida, a vida dos filhos, a vida dos familiares e a vida dos outros cidadães da cidade", acrescentou.