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Coronavírus
NOTÍCIA

"Não há cabimento em manter o calendário do Enem", diz Tabata Amaral

Em entrevista ao Portal R7, a deputada federal pelo PDT-SP argumenta que o não adiamento é injusto. No Twitter, Weintraub diz que "a vida não pode parar

Lais Oliveira
10:39 | 15/04/2020
Em 2019, cerca de 3 milhões de pessoas solicitaram a isenção da taxa, que custava R$ 85
Em 2019, cerca de 3 milhões de pessoas solicitaram a isenção da taxa, que custava R$ 85 (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

A deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) se manifestou a favor da mudança do calendário de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus. O Exame está previsto para ocorrer nos dias 1º e 8 de novembro deste ano.

“Não há cabimento em manter o calendário. É muito óbvio que isso só vai aprofundar a desigualdade”, afirma em entrevista ao Portal R7. Tabata, que é ativista pela educação, ressalta que o acesso à internet não é igualitário entre os estudantes das redes particular e pública do País. “Enquanto alunos de escolas particulares conseguem estudar de suas casas, a gente tem um monte de meninos e meninas que estão amontoados em cômodos com mais de 10 pessoas, sem acesso à internet, sem um pai ou uma mãe que possa ajudar nesses estudos”, argumenta.


A manutenção das datas do Enem 2020 foi anunciada pelo ministro de Educação, Abraham Weintraub, no início deste mês. Em coletiva de imprensa, o titular disse que “não há por que falarmos em postergação” e recomendou aos alunos que continuem estudando em casa enquanto as aulas estiverem suspensas.


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Crítica à postura de Weintraub


A deputada federal lamenta o gerenciamento da crise por parte do ministro da Educação. “Infelizmente, a postura dele (Weintraub) nessa crise (do coronavírus) não é diferente daquela que ele vinha tendo. Ora, o que a gente espera de um ministro da Educação nesse momento? Que o ministério, como está previsto na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) coordene os esforços, que faça videoconferência com secretários estaduais e representação de secretários municipais e que ele diga o que fazer durante a crise”, pontua.


Segundo Amaral, “falta liderança e sobra tempo para criar problemas nas redes sociais”. Ela cita a crise diplomática que o titular do MEC criou com a China depois de um post usando o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica, para ridicularizar o sotaque dos chineses. Weintraub fez insinuações de que a China poderia se beneficiar, de forma propositada, da crise mundial causada pela Covid-19.


Procurado pela reportagem R7, o ministro Abraham Weintraub não se pronunciou. Porém, em seu perfil do Twitter, Weintraub reiterou que o calendário da prova está mantido. "A vida não pode parar! E é por isso que vai ter #Enem2020. Estude pelos livros ou pela internet, converse com seus professores e foque no seu projeto de vida, no seu futuro", escreveu relembrando que o prazo para pedir isenção da taxa de inscrição segue até sexta-feira, 17.



No dia 3 de abril, a deputada já havia manifestado seu apoio em relação ao adiamento do Enem. "Enquanto alguns alunos têm o privilégio de continuar as aulas via EAD, outros estão desesperados, sem internet e sem comida na mesa", escreveu Tabata por meio de suas redes socais.


Ainda na mesma publicação, ela pondera que é cedo para definir a data final do Enem 2020, mas é "urgente" dar aos alunos a tranquilidade de que "nenhum ficará para trás".




MEC liberou R$ 450 milhões a escolas públicas


A Covid-19 já matou 1.328 brasileiros, de acordo com balanço divulgado pelo Ministério da Saúde nesta segunda-feira (13). O país registra também 23.430 casos confirmados.


Por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) , O MEC liberou R$ 450 milhões a escolas públicas como medida de enfrentamento à pandemia – trata-se de antecipação do repasse das duas parcelas do programa Dinheiro Direto na Escola, com previsão inicial para abril e setembro.


Weintraub também determinou que estudantes de medicina poderão se formar ao concluir 75% do internato. Estes profissionais recém-formados vão complementar as horas de estágio com o período trabalhado em função da pandemia do coronavírus para conseguir o registro profissional definitivo.