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Coronavírus
NOTÍCIA

Médicos da UFC propõem uso de hidroxicloroquina para profissionais da saúde

Infectologista Anastácio Queiroz defende que medicamento pode ser importante se prescrito no início do tratamento

Rubens Rodrigues
12:14 | 06/04/2020
Refutada por estudos recentes, a cloroquina tem sido defendida por Trump e Bolsonaro, apesar da falta de evidências científicas que comprovem eficiência no tratamento de coronavírus (Foto: REPRODUÇÃO)
Refutada por estudos recentes, a cloroquina tem sido defendida por Trump e Bolsonaro, apesar da falta de evidências científicas que comprovem eficiência no tratamento de coronavírus (Foto: REPRODUÇÃO)

Um trio de médicos e professores da Universidade Federal do Ceará (UFC) enviou ao sistema de saúde documento propondo o uso da hidroxicloroquina para profissionais que estão na linha de frente de combate ao novo coronavírus (Covid-19). O medicamento, indicado no tratamento de malária, artrite reumatioide e lúpus, entre outras condições, tem sido indicado no tratamento da Covid-19 em situações específicas.

Embora esteja no meio de um embate ideológico no País, a hidroxicloroquina apresenta ação sobre a Covid-19. De acordo com o infectologista Anastácio Queiroz, o remédio pode ser "importante, especialmente se utilizado no início do tratamento para pessoas nas zonas de risco". O medicamento é um análogo da cloroquina, só que menos tóxico.

"Depois que a doença avança muito e o paciente vai para a UTI, fica difícil conseguir alguma regressão num intervalo de tempo razoável e consequentemente evitar complicações", explicou o médico em entrevista à rádio O POVO CBN.

A proposta prevê a dose de um comprimido durante cinco dias seguidos. Depois, um comprimido por semana enquanto for necessária a prescrição. Também está sendo proposto zinco como suplemento, devido a função de imunidade ao sistema. "Acreditamos que isso poderá evitar a doença ou torná-la menos severa para os profissionais que venham a adoecer", diz Anastácio Queiroz.

No último dia 31, a Agência Americana para a Segurança Alimentar e do Medicamento, a Food and Drug Administration (FDA) liberou no país o uso de fosfato de cloroquina e do sulfato de hidroxicloroquina para os pacientes de Covid-19 que estão em estado grave.

De acordo com o portal de medicina PebMed, ainda não há estudos clínicos de grande porte que comprovem a eficácia das substâncias contra a doença. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem restrições para o uso: os pacientes precisam ser adolescentes ou adultos, pesarem pelo menos 50 kg e estarem internados devido ao vírus.

No último dia 3, o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, anunciou que a hidroxicloroquina seria ministrada para pacientes em estados grave no Brasil. Na mesma data, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) divulgou nota sobre a venda da hidroxicloroquina e cloroquina no Estado.

Conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os medicamentos só devem ser vendidos para pacientes que apresentarem receita de controle especial em duas vias, sendo obrigatória a retenção na farmácia ou drogaria da 1ª via da receita. É possível denunciar farmácias que estejam vendendo as substâncias sem receita pelo e-mail do MPCE: [email protected]

Uma pesquisa internacional realizada pela empresa global de saúde Sermo aponta que, para 37% dos médicos ouvidos, o medicamento é o mais eficaz no tratamento da Covid-19 em uma lista de 15 antibióticos. De acordo com o jornal britânico Daily Mail, na Espanha, por exemplo, 72% dos médicos usaram o medicamento. Enquanto 55% declararam ter prescrito na Itália e 44% na China.