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Coronavírus
NOTÍCIA

"Foi uma medida acertada", diz líder do Governo sobre recuo de Camilo Santana sobre isolamento

Carlos Holanda
13:13 | 06/04/2020

Líder do governo Camilo Santana (PT) na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), o deputado Júlio César Filho (Cidadania) defendeu o recuo da administração estadual em relação à flexibilização das medidas de isolamento que seriam adotadas via decreto já para esta segunda-feira, 6.

Camilo havia cedido às reivindicações de alguns setores. Concordou em fazer concessões às lojas de construção civil e estabelecimentos de produtos de higiene e limpeza. O chefe do Executivo estadual também liberou feiras de alimentos, ressalvando que "com regras estabelecidas."

Na madrugada, porém, Camilo reavaliou posição e tornou a defender a conduta inicial. "Diante da argumentação feita pelo nosso Comitê de Saúde, demonstrando preocupação com as flexibilizações de funcionamento colocadas pelo Governo do Estado nesse último decreto que entraria em vigor nesta segunda-feira (6)", disse Camilo, "decidi revogar imediatamente o mesmo, e publicar novo decreto, mantendo todas as proibições dos decretos anteriores."

Para Júlio César, a decisão foi acertada, já que as projeções indicam que a pandemia atingirá o pico nos próximos 15 dias. A previsão da Covida, da Fundação Oswaldo Cruz e Universidade Federal da Bahia, é drástica para o Ceará.

Projeta-se que o Estado deverá ser o primeiro do País a atingir o pico do vírus, com possíveis 3.053 infectados. Até esta segunda-feira, 976 casos foram confirmados. Se se confirmar o estudo realizado, o Ceará passará a segundo lugar com mais casos, ainda atrás de São Paulo, hoje com mais de 11 mil registros.

"Não temos conhecimento de pressão do setor produtivo, porém naturalmente deve ter. Mas o governador, de maneira muito humilde e responsável, conseguiu manter a regra anterior. Acreditamos que foi uma medida acertada", afirmou o líder. Natural de Maracanaú, segundo maior PIB do Ceará, e onde fica um parque industrial, o deputado nega também ter recebido pressões de empresários pela flexibilização do isolamento.

Discordância

Na Assembleia Legislativa, há vozes divergentes da de Júlio César. Aliados de Bolsonaro, os deputados Delegado Cavalcante e André Fernandes concordam com a condução da crise pelo presidente, ou seja, são críticos às medidas de isolamento social adotadas pelos governadores. A argumentação central de ambos é sobre os danos à economia gerados pela baixa circulação de pessoas nas ruas.

"O governador do Ceará, Camilo Santana, recuou após pronunciamento de Bolsonaro e decidiu abrir alguns setores do comércio. Agora acabou de recuar novamente dizendo que não vai mais abrir estes setores. Enquanto Camilo brinca de abrir e fechar o comércio, famílias morrem de fome", criticou Fernandes a partir de uma rede social.