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Coronavírus
NOTÍCIA

Datafolha: para 76%, o mais importante durante a pandemia é deixar as pessoas em casa

O levantamento realizado pelo Datafolha mostra uma tendência maior da população nordestina em aprovar a medida de distanciamento social

Ismia Kariny
09:26 | 06/04/2020
Fortaleza, Ceará, Brasil 03-04-2020: Movimentação de alguns locais no centro da cidade de Fortaleza em meio a Pandemia do novo Corona Vírus (COVID - 19) - (Foto: Sandro Valentim/O POVO)........ (Foto: Sandro Valentim)
Fortaleza, Ceará, Brasil 03-04-2020: Movimentação de alguns locais no centro da cidade de Fortaleza em meio a Pandemia do novo Corona Vírus (COVID - 19) - (Foto: Sandro Valentim/O POVO)........ (Foto: Sandro Valentim)

Pesquisa publicada pelo Datafolha nesta segunda-feira, 6, mostra que o brasileiro considera mais importante manter o isolamento social em meio à pandemia do novo coronavírus. Para 76% dos 1.511 entrevistados, as pessoas devem ficar em casa, enquanto 18% acreditam que o mais importante é acabar com o isolamento para estimular a economia; os 6% restantes, não souberam responder. O levantamento do Datafolha foi realizado entre os dias 1º e 3 de abril, por telefone. As informações são do portal de notícias do Folha de S. Paulo.

A pesquisa Datafolha também mostra uma tendência maior da população nordestina em aprovar a medida de distanciamento social. São 81% favoráveis na região, onde Bolsonaro historicamente tem menor popularidade. Enquanto na região Sul, considerada o reduto do presidente, 70% defendem que as pessoas não saiam de casa para trabalhar. Segundo o Datafolha, esse é o menor índice entre as regiões do país.

Abertura do comércio

O Datafolha também questionou aos entrevistados sobre o fechamento de comércio, a suspensão de aulas e quanto tempo o isolamento deve durar. Para dois terços dos entrevistados (65%), o comércio não essencial deve continuar fechado, enquanto 33% declaram ser favoráveis a reabertura das lojas. Em relação a suspensão das aulas, 87% dizem que ela deve continuar.

Para Bolsonaro, a reabertura do comércio visa proteger os trabalhadores informais. “O sustento das famílias deve ser preservado. Devemos, sim, voltar à normalidade”, disse o presidente durante pronunciamento em rede nacional, no dia 24 de março.

No entanto, segundo o Datafolha, não há alterações significativas em estratos de renda mais baixa da população. Apoiam o fechamento do comércio 67% das pessoas com renda familiar mensal de até dois salários mínimos, e 62% dos entrevistados no segmento que ganha de dois a cinco salários mínimos.

A reabertura das escolas também é defendida pelo presidente. Em seu entendimento, crianças e jovens não fazem parte do grupo de risco, e por isso não devem ficar em isolamento. A pesquisa, contudo, revelou que apenas 11% dos entrevistados são favoráveis ao retorno das aulas, contra esmagadores 87% que são contrários.

Bolsonaro ainda defende que apenas idosos e doentes mantenham o distanciamento social. A medida de “isolamento vertical”, como é chamada, vai contra o o que vem sendo defendido por infectologistas, pela Organização Mundial da Saúde e pelo próprio Ministério da Saúde. O argumento é que os mais jovens podem trazer o vírus para dentro de casa e infectar outras pessoas.

Brasileiro defende endurecimento das medidas

Segundo a pesquisa Datafolha, a maioria da população está de acordo com o que dizem os especialistas. O brasileiro defende até endurecimento maior das medidas em relação ao que está sendo aplicado pelos governos estaduais e as prefeituras.

Em média, os pesquisados acreditam que as medidas de isolamento vão durar mais 29 dias. Mas o ideal, dizem os entrevistados, é que a situação atual se mantenha por um período até um pouco maior, de 32 dias em média.

Como forma de diminuir o contágio com o coronavírus, 71% dos entrevistados dizem que o governo deveria proibir por algum tempo que todas as pessoas que não trabalhem em serviços essenciais saiam às ruas. Declaram-se contrários 26%. A margem de erro da pesquisa Datafolha é de três pontos percentuais para mais ou para menos.