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Coronavírus
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Fase mais crítica pode exigir de 30 a 50 mil testes RT-PCR por dia para detecção do coronavírus

Segundo o Ministério da Saúde, não há escala de produção nos principais fornecedores para suprimento de kits laboratoriais para pronta entrega nos próximos 15 dias

19:46 | 04/04/2020
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, (Foto: Sergio LIMA / AFP)
Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, (Foto: Sergio LIMA / AFP)

Em boletim epidemiológico, o Ministério da Saúde revelou que a capacidade laboratorial do Brasil é insuficiente para dar resposta à próxima fase da epidemia. Em carga máxima, toda a Rede Nacional de Laboratório é capaz de processar aproximadamente 6.700 testes diários de RT-PCR — usado para detecção de casos graves de coronavírus. Contudo, a pasta estima que será necessária a ampliação para realização de 30 a 50 mil testes, um incremento de, no mínimo, 347% do que é feito atualmente.

Para isso, o Ministério da Saúde está estabelecendo parceria público-privada com
grandes redes de laboratórios e ampliando a capacidade da rede de instituições, que é composta pelos 27 Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen), Instituto Evandro Chagas e todas as unidades da Fundação Oswaldo Cruz.

No entanto, segundo o Ministério, não há escala de produção nos principais fornecedores para suprimento de kits laboratoriais para pronta entrega nos próximos 15 dias. Outro problema relatado no relatório se refere à insuficiência do número de leitos de internação e de Unidades de Terapia Intensiva (UTI), que não têm estrutura adequada para atender a população na fase mais aguda da epidemia.

Faltam ainda profissionais de saúde capacitados para manejo de equipamentos de ventilação mecânica, fisioterapia respiratória e cuidados avançados de enfermagem direcionados para o manejo clínico de pacientes graves de Covid-19. Há ainda carência de profissionais treinados na atenção primária para o manejo clínico de casos leves de Síndrome Gripal.

Distanciamento social contribui para estruturação dos serviços de saúde

O Ministério da Saúde voltou a avaliar o distanciamento social como medida eficaz em combater a disseminação do coronavírus. A avaliação considera que alguns estados, como o Ceará, já estão em processo de transição para fase de aceleração descontrolada da epidemia. Além disso, o período de maior incidência da doença, segundo o relatório, ocorrerá dentro de algumas semanas.

Dessa forma, no entendimento do Ministério da Saúde, o distanciamento social é a medida mais efetiva em evitar o colapso dos sistemas locais de saúde, como já observado em Nova York (EUA), na Itália, Espanha, China e recentemente no Equador. “Ao tempo, essas medidas temporárias permitem aos gestores tempo relativo para estruturação dos serviços de atenção à saúde da população, com consequente proteção do Sistema Único de Saúde”, diz o texto.

A pasta também passou a recomendar o uso de máscaras faciais para todos, visto que dados científicos recentes apontam que a transmissão da Covid-19 pode ocorrer mesmo antes do indivíduo apresentar os primeiros sinais e sintomas da doença. Contudo, diante da insuficiência de insumos, o Ministério recomenda aos cidadãos que produzam a sua própria máscara de tecido, com materiais disponíveis no próprio domicílio.

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