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Coronavírus
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Ministro da Saúde diz que quarentena foi "precipitada" e isolamento vertical será estudado

Luiz Henrique Mandetta considerou que medidas mais brandas possam ser tomadas antes de um fechamento total de serviços não essenciais

Leonardo Maia
19:46 | 25/03/2020
Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde (Foto: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)
Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde (Foto: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, criticou, em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 25, a forma com que estados e municípios do País adotaram medidas de quarentena. Ele considerou que o fechamento de serviços não essenciais foi tomado de forma “precipitada”. “Ficou desarrumado esse negócio de quarentena, não ficou bom”, considerou Mandetta. A pasta ainda irá estudar a adoção de isolamento vertical proposta na véspera pelo presidente Jair Bolsonaro.

O titular da pasta federal da Saúde defendeu que medidas mais brandas sejam tomadas antes do chamado lockdown, forma de confinamento defendida por especialistas em que apenas serviços essenciais permanecem funcionando. Ele ponderou que medidas como a redução de serviços de mobilidade urbana e o isolamento de bairros determinados devem ser tomadas em um primeiro momento.

“Quarentena sem prazo determinado para terminar vira uma parede na vida das pessoas, que precisam ir e vir porque isso faz parte da própria sobrevivência. Se não tivermos um cuidado com a atividade econômica, essa onda da saúde virará uma onda maior ainda com a crise econômica”, ressaltou Mandetta, que considerou como uma “grande colaboração” a fala do presidente na noite dessa terça-feira.

A determinação a partir de agora, de acordo com o ministro, é que o corpo técnico do ministério estude a proposta de isolamento vertical proposta pelo presidente. A medida determina a realização da quarentena de forma distinta do que se pratica no Ceará atualmente, onde apenas o grupo de risco da Covid-19, os idosos e os imunossuprimidos, permaneça isolado.

“A saúde só pode funcionar quando gera riquezas. É preciso fazer isso junto, com os ministros de Estado que participam dessa força tarefa. A saúde não é uma ilha, não vamos tratar isoladamente, não é só coronavírus. As pessoas tem que ser atendidas, as pessoas têm dor de dente. As coisas continuam, os arquitetos têm que trabalhar, tem que projetar”, destacou.

Entre outras medidas, Mandetta defendeu que as igrejas sejam reabertas, mas “sem aglomerar”. Ele defendeu que a fé tem um papel importante para a sociedade e não deve ser deixada de lado nesse momento. De acordo com ele, a falta de atividade econômica pode prejudicar também a saúde. O ministro citou o setor aéreo como exemplo: insumos não puderam ser transportados para os estados de forma ágil devido ao cancelamento de voos.

Ele ainda afastou qualquer hipótese de sua saída do Governo. “Eu saio daqui quando o presidente achar que não devo mais trabalhar. Ou quando esse período de turbulência passar e eu achar que não posso ser mais útil”, garantiu o ministro.

“O Brasil tem vários ‘Brasis’”

Luiz Henrique Mandetta defendeu que a avaliação seja feita caso a caso, de acordo com o número de casos e a população de cada estado. Ele citou, por exemplo a diferença entre os estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazônia: nos dois primeiros casos, há uma grande quantidade de idosos e no último se encontra a população mais jovem do País, de acordo com o ministro.

“A situação do Ceará é totalmente diferente da situação de Goiás. O Brasil tem vários ‘Brasis’”, considerou Mandetta. Os estados citados registram 200 e 29 casos, respectivamente. Mais cedo, antes da coletiva, governadores de ambas federações declararam que não concordam com o pronunciamento feito pelo presidente nessa terça.

O governador Camilo Santana assinou uma carta, em conjunto com os outros governadores do Nordeste, defendendo que seguirá com as medidas adotadas com base na orientação de profissionais de saúde. Já o governador de Goiás Ronaldo Caiado (DEM) disse, em suas redes sociais, que as decisões do presidente da República não afetarão o seu Estado. “Nós não vamos aceitar isso do presidente. Isso não faz parte da postura de um governante”, afirmou.



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