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Presidente Luciana Dummar (2008) - A primeira dos quatro filhos de Demócrito Dummar, Luciana Dummar tornou-se uma das mais jovens dirigentes de empresas jornalísticas do Brasil. O mergulho no jornalismo se deu por um trabalho em parceria com o Museu Nacional, que buscava microfilmar as coleções dos principais veículos de comunicação brasileiros. À época, o pai defendia essa como uma rara oportunidade de se ambientar com a história do jornal e de saber das intervenções realizadas por seus fundadores. A experiência foi tão rica que a fez maturar o projeto de consolidar o O POVO como importante veículo da imprensa regional brasileira. Foi durante a pesquisa, ao liderar a primeira equipe, microfilmando mais de 500 mil páginas do jornal, que Luciana foi percebendo mudanças comportamentais da sociedade, a influência do coronelismo no Estado e as metáforas com a atualidade, e o avanço dos recursos tecnológicos e de informação. Sempre flertou com as novas mídias, percebendo-as como aliadas. "Somos operadores desses novos meios e sabemos como fazê-los conviver entre si, a partir do aprendizado constante e da formação ininterrupta da nossa equipe de profissionais", disse também à jornalista Ana Mary C. Cavalcante. A exemplo do pai, percorreu vários setores da empresa, onde começou a trabalhar no Banco de Dados, até se tornar presidente do Grupo de Comunicação O POVO, em 2008. É bacharel em Administração de Empresas. Ao lado do pai, Demócrito Dummar, e dos irmãos, teve papel fundamental na modernização editorial e gráfica e na incorporação de novos meios de comunicação ao Grupo. Em cada uma das plataformas, manteve o jornal como espaço da pluralidade. "Através das plataformas do O POVO, o Ceará lê, assiste, ouve e escuta, acessa e compartilha todas as opiniões, de todas as matizes ideológicas, vertentes políticas, credos e colorações sociais.

Demócrito Dummar (1985-2008) - A empresa era familiar e era necessário começar a pensar a sucessão. A conversa, presenciada quando ainda tinha sete anos de idade, já anunciava um crescer em meio aos corredores do O POVO. "Quando relembro, percebo que, minha vida inteira, estive entranhado no ambiente de máquinas de redação. O jornal era o instrumento de uma família de artesãos da palavra e do pensamento", contou Demócrito Dummar à jornalista Ana Mary C. Cavalcante, para a publicação comemorativa O POVO 80 Anos. Além do nome do avô, o fundador do jornal, ele herdou o amor pelo jornalismo, a direção da empresa. Chegou ao O POVO aos 17 anos e o serviu por 45. "Ou participei, ou assisti, ou fui protagonista das mudanças. (...) Passei por todas as experiências. Da arte da impressão ao novo jornalismo", afirmou na celebração dos 80 anos do jornal, que cresceu junto com ele. Sua grande paixão foi Wânia Cysne Dummar, um casamento que durou 30 anos. "Encontrar uma mulher como Wânia é algo raro. Inteligente, arguta, texto lindo, sentido poético a flor da pele… Wânia enche uma casa". Diferente do avô e do tio, Paulo Sarasate, não teve vinculação político-partidária, mas, sim, fez do O POVO instrumento de formação, mobilização, pressão. Era essa a sua política até o ano de sua morte, 2008. Como presidente do O POVO, trabalhou como articulador e defendeu pautas importantes para o Ceará e o Nordeste, como a transposição do rio São Francisco, construção da refinaria no Estado, do açude Castanhão. Atuou ainda em defesa da democracia direta e da participação popular. No papel de fazer jornal, empunhava bandeiras, exercia e estimulava a cidadania.

José Raymundo Costa - A história de José Raymundo de Albuquerque Costa (1920-2004) começa no O POVO em junho de 1938. Nascido nas proximidades do rio Juruá, no Acre, havia acabado de chegar ao Ceará. Arrumou trabalho no jornal, como contínuo, no tempo em que a impressão era feita em maquinário alemão. A empresa foi crescendo e Zé Raymundo foi acompanhando. Em 1941, chegou ao posto de gerente. No mesmo ano, casou com a costureira Djanira, que havia conhecido nas idas e vindas de bonde. Com ela, teve seis filhos. Casado, foi morar no Centro, mais perto do emprego. Tão perto, que, no quintal, havia uma passagem para o O POVO. À época, o jornal era sediado na rua Senador Pompeu (antes de dar lugar à loja Mesbla). No trabalho, Zé Raymundo parecia estar em casa. E foi alçando voos dentro do jornal. Passou a sócio da empresa O POVO Ltda, tornou-se diretor administrativo; em seguida, diretor financeiro, diretor industrial, diretor comercial, até se tornar vice-presidente (1982). O jornal passou de vespertino a matutino, assim como ganhou as ruas também aos domingos, por decisão dele. Com o passar dos anos, tornou-se mais conhecido como Seu Costa. A fama remetia também às paixões pela família, pelo O POVO e pelo Fortaleza Esporte Clube. Outro legado de sua gestão foi a criação do Jornal do Leitor, em 1984. E a história teve ainda outros exemplos de sua vontade de crescer. Como só havia estudado até a 8ª série, aos 56 anos, voltou a estudar. Em 1977, prestou vestibular para jornalismo junto com uma das filhas, a jornalista Jacqueline Costa Soares, que dividiu com ele os bancos da faculdade. Todos achavam que ele era professor. E Seu Costa só não o foi, porque quando conquistou o primeiro lugar no concurso já havia passado dos 60 anos.

Albanisa Sarasate (1974-1985) - O plano inicial de Demócrito Rocha era fundar o O POVO no dia do aniversário da primeira filha, Albanisa (1916-1985). O presente chegou dois dias após o aniversário de 12 anos da menina, que cresceu como ouvinte fiel dos textos que o pai, jornalista político, escrevia. Aprendeu com ele sobre liberdade. Tinha, inclusive, voz ativa nas conversas dos adultos desde cedo. Foi por intermédio do ofício do pai, que conheceu o homem com quem escolheu partilhar a vida. Casou-se aos 20 anos com Paulo, de quem recebeu o sobrenome Sarasate. Depositou no sobrinho, Demócrito Dummar, a confiança e as muitas lições aprendidas na convivência com o pai. Em entrevista à jornalista Ana Mary C. Cavalcante, para o especial O POVO 80 Anos, Demócrito Dummar partilhou: "Depositou confiança em mim. Assim traduzindo sua forma de amor, na explicitação daquele acreditamento… Devotei o melhor da minha energia para fazer renascer, em cada desafio, este ideal. Convites tentadores não faltaram, inclusive para a política partidária, a partir da suplência de senador de César Cals, ou para posições estratégicas na administração pública. Mas não há nada que me afaste do ideal do fazer jornalístico. Assim eu respondo a todos os meus antepassados, e a ela em particular". Demócrito Dummar é filho de dona Lúcia, a caçula de Demócrito Rocha, mas teve em Albanisa uma segunda mãe. Afeto que se estendia à neta escolhida, Luciana, filha de Dummar, que ouvia da "vó" Albanisa: "Nunca seja subalterna". Doçura e firmeza se encontravam na figura da mulher que comandou o jornal entre 1974 e 1985. Albanisa lutou contra um câncer e morreu em 25 de maio de 1985. Dois meses antes, retribuiu o agrado que recebera do pai, quando ainda tinha 12 anos. Em 4 de março de 1985, assinou o ato de criação da Fundação Demócrito Rocha.

Creuza Rocha (1968-1974) - Quando desembarcou pela Ponte Metálica, em 1912, Demócrito Rocha foi, pouco a pouco, descobrindo a Cidade que, à época, tinha 60 mil habitantes. O telegrafista costumava contemplar Fortaleza a partir do Passeio Público, que atraía a juventude e as famílias, com seus adornos e influências franceses. Dali mesmo, Demócrito cruzou olhares com a moça que vestia chapéu com longa pena branca. Era Creuza do Carmo Rocha (1897-1974). Seis meses depois, subiam ao altar na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. No livro da jornalista Adísia Sá, Traços de União (Edições Fundação Demócrito Rocha), dona Creuza se define e revela a personalidade forte: "Sou generosa, amiga. Conheço as criaturas, confio nelas, mas que nunca ninguém me faça de marionete. Jamais fui joguete de interesses escusos". Amigo da família, também jornalista José Raymundo Costa complementa: "Revolucionária de 30 e 64 e udenista convicta, jamais acenava para adversários a título de cortesia, ainda quando estes fidalgamente a visitavam e eram ilustres, como Juscelino Kubistchek", também na pesquisa de Adísia Sá. Dona Creuza tornou-se diretora-presidente do O POVO entre 1968 e 1974 (após Paulo Sarasate e a gestão interina de José Raymundo Costa). Foi a primeira mulher cearense a tirar o título eleitoral. Era afeita às tertúlias literárias, que organizava em casa, principalmente quando a família morou próximo à Praça da Gentilândia, no Benfica. Além de mãe, cumpriu a missão de manter o O POVO, sempre na linha de frente, junto ao marido. As dificuldades financeiras, entre as décadas de 1920 e 1940, a fizeram por vezes recorrer à cunhada, viúva, para garantir o pagamento do salário dos funcionários do jornal. Ela era o ponto que Demócrito mirava enquanto discursava a cada palanque.

Paulo Sarasate (1943-1968) - A revista A Farpa, criada por Paulo Sarasate em 1926, quando era aluno da Faculdade de Direito, fazia críticas ferrenhas ao governo de Moreira Franco. Não custou até que o tom da revista levasse Sarasate e seus amigos de redação - Plácido Castelo, Parsifal Barroso e Perboyre e Silva - à prisão. O enredo do rapaz fez com que Demócrito Rocha visse nele um aliado em sua missão de fazer um jornal ferrenho contra os desmandos do poder local. Dois dias após bater à porta do O POVO, em janeiro de 1929, Sarasate já estava lado a lado com o idealizador nas páginas e nos corredores do vespertino. Com múltiplas funções, Paulo Sarasate (1908-1968) foi redator, revisor, repórter, noticiarista, diagramador e braço direito de Demócrito. Acompanhava o fundador do O POVO nos comícios, nas praças e também em missões pelo Interior. Rapidamente, passou também a ter voz nos palanques e, em 1935, foi eleito deputado estadual constituinte. Tão próximo se tornou da família, que, em 1936, casou com a primeira filha de Demócrito, Albanisa. Certa vez, Adísia Sá relatou: "Demócrito, boêmio, visionário, poeta, pensador, apoiava-se no genro Paulo Sarasate de raro senso de administração". Aplicado, Sarasate assumiu a direção do jornal a partir de 1943 e se manteve na posição até o ano de sua morte, 1968. Com talento para a política, transitava entre grupos de diferentes correntes ideológicas. Exerceu mandato como deputado federal (1951-1954), foi governador do Ceará (1955-1958) e, em seguida, voltou à Câmara Federal, até se tornar senador (1966-1968). Influente, era bem próximo a Castello Branco, que foi presidente do Brasil entre abril de 1964 e março de 1967. Teve papel decisivo na educação cearense, com a criação da Universidade Federal do Ceará (UFC), junto com Martins Filho. Foi protagonista também na instalação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Banco do Nordeste (BNB).

Fundador e primeiro presidente do O POVO - Demócrito Rocha (1928-1943) - Na primeira página da primeira edição do vespertino O POVO, o jornalista J. Ibiapina teve texto publicado dando boas-vindas ao novo jornal. No "bilhete", que se iniciava com "Caro Demócrito", tecia o desejo por um jornal atuante como escudo do povo, fiscalizador severo, contra a arbitrariedade dos poderes públicos. "Por falta de critica imparcial é que os governos se desregram", sentenciava o então diretor de O Ceará, conhecido impulsionador da nova imprensa no Estado. "Pelo que reconheço da tua atuação quando collaborador do O Ceará, domina-me a certeza de que, no leme do novo periódico, has de ser um defensor ousado e intelligente de todas as causas populares", assinava como amigo e admirador.

Antes de fundar o O POVO, naquele 7 de janeiro de 1928, Demócrito Rocha formou-se em Odontologia, em 1921, e passou a dividir a casa com o gabinete dentário em um sobrado na Major Facundo, onde produzia "dentadura dupla de ouro e prata", como anunciava à porta. Nasceu em 14 de abril de 1888 em Caravelas, no sul da Bahia. Lá, desde menino, trabalhava como operário consertando locomotivas. Aportou em Fortaleza em 1912, quando começou a trabalhar como telegrafista. Aqui, conheceu dona Creusa, com quem namorou por seis meses e casou em 9 de junho de 1915. As filhas não demoraram a chegar. Albanisa veio em janeiro de 1916 e Lúcia, em maio de 1917. A primeira morada se estabelecera na rua Barão do Rio Branco, no Centro.

Passou por outros endereços até chegar ao sobrado da Major Facundo. No Centro, bairro pelo qual tinha grande apreço, era presença certa no Banco da Opinião Pública, na Praça do Ferreira, e no bar do Silva, onde se discutiam as letras, os problemas da Capital e se emendavam as soluções. Nas páginas do jornal O Ceará, de Ibiapina, criou a revista de amenidades Ceará Ilustrado em 1924 e fez-se voz política e crítica, a partir de 1925. Era assumidamente opositor do governo de Moreira da Rocha. Pela força de suas notas, em 1º de junho de 1927, a caminho da Praça do Ferreira, levou uma surra de 12 policiais. Mas não se intimidou. A esta altura, já planejava ter o próprio jornal.

A data de fundação deveria coincidir com o nascimento da primeira filha, mas atrasou dois dias. O periódico foi se mantendo com amparo de amigos e leitores, que pagavam adiantadas as assinaturas. Desde o princípio, O POVO lançava luz sobre a literatura. Rachel de Queiroz, Filgueiras Lima, Paulo Sarasate, Jader de Carvalho eram alguns dos escritores que preenchiam de modernismo as revistas Maracajá e Cipó de Fogo, impressas nas edições de 16 páginas já em abril de 1929. Não por acaso, Demócrito Rocha passou a integrar a Academia de Letras do Ceará em 1930, na cadeira que tem como patrono Padre Mororó.

Foi eleito deputado federal em 1934 pelo Partido Social Democrático (PSD), quando as pautas da sigla eram sindicalização das classes, defesa dos direitos dos proletários, nacionalização de minas e quedas d’água. Como parlamentar, batalhou ainda pelo fomento da cultura da carnaubeira, pela construção do porto do Mucuripe e pelo combate às secas. Contudo, o Congresso foi fechado antes, em 1937, pelo Governo de Getúlio Vargas.

 

De volta à casa, em Fortaleza, Demócrito já travava nova batalha, dessa vez, pela vida. A tuberculose, ainda sem cura nos anos 1940, o afligia. Forçou-se a viver apartado, sem partilhar talheres, sem oferecer colo, sem receber beijos. Em 29 de novembro de 1943, se despediu. Fez-se luto em Messejana, na casa da família, e silêncio em jornais de Fortaleza (O Estado, O Nordeste, Unitário, Correio do Ceará, Gazeta de Notícias), que não circularam, e na rádio PRE-9, que não veiculou seus programas, em homenagem a Demócrito Rocha.

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