PUBLICIDADE

Não se trata só de levantar pesos

01:30 | 07/10/2019

Há um componente fundamental para garantia da eficiência e segurança dos exercícios físicos, mas que costuma ser desprestigiado no ambiente academia: a técnica de execução. Os praticantes se preocupam mais com o tipo de exercício, a carga utilizada, o número de séries e repetições, mas e quanto à técnica?

As respostas por vezes assustam: consulta ao aplicativo fitness baixado gratuitamente no celular, assistir um dos milhares de vídeos na internet ou mesmo só pedir para o professor dar uma "lembrada", do tipo: "Eimah! Leg Press é aquele que a gente senta e empurra o peso com as pernas, né?".

Mas se é tão importante, porque a atenção na maneira de executar os exercícios não é prioridade para alguns? Quando essa pergunta é realizada para os profissionais que deveriam ensinar o movimento, a causa geralmente incide em um combo de ignorância (no sentido de falta do conhecimento específico), incapacidade operacional (imagine um professor supervisionando os treinos de mais de 20 alunos simultaneamente?) ou mesmo má vontade e preguiça.

Para as duas primeiras situações, o gestor da academia poderá resolver com um programa de capacitação profissional contínuo e estratégias gerenciais para garantir maior fluidez no atendimento. Já para o terceiro caso, penso que a solução é advertência ou "rua".

O profissional de Educação Física deve demonstrar, utilizar analogias, ajustar, e dar feedback para que seu cliente tenha alguma autonomia e o movimento seja "limpo" e seguro e atenda ao objetivo proposto.

Sempre defendi a ideia de que profissionais que trabalham nessa área devem ser praticantes regulares para que sintam na própria pele todas as nuances, sensações e parâmetros de progressão envolvidos com aquela atividade.

Aproveito para dar mais uma sugestão para os colegas que trabalham no ambiente academia: a maioria dos alunos adora ser corrigido e sabem por quê? É muito bom se sentir cuidado por alguém que genuinamente se importa com você. Vai por mim.

Já entre os motivos pelos quais os praticantes não atentam para a técnica de execução, os principais são: pressa para terminar, pouca consciência corporal, falta de supervisão profissional, equipamentos não ajustados para suas dimensões corporais e até vaidade.

Por incrível que pareça, algumas pessoas insistem em treinar com uma intensidade além da sua capacidade individual e adotam uma técnica sofrível, achando que assim vão impressionar alguém.

Pois é, eu conto ou vocês contam para esses que se acham o centro das atenções que os outros clientes da academia estão se lixando para o que eles fazem ou deixam de fazer.

Ainda há outra situação, menos frequente, mas que também pode comprometer os resultados de quem faz exercícios: o excesso de informações, detalhes e recomendações, normalmente acompanhadas de ameaças de lesão caso a execução fuja de um padrão rígido. Essa abordagem pode provocar insegurança, dependência e medo de progredir, condições contraproducentes que podem levar à desistência do treinamento.

Enfim, tanto a Ciência quanto a prática diária já demonstraram que técnica adequada de execução continua sendo um dos requisitos básicos para bons resultados. Então busque uma orientação adequada e capriche nos exercícios, enfatizando: controle, amplitude, estabilidade e intensidade coerente com sua aptidão física.

Bons treinos!

TAGS