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Gol

01:30 | 02/05/2019

Como entrego a crônica para a redação até as 17 horas da quarta-feira, ainda não sei os resultados da segunda rodada, mas, encerrada a primeira, fui surpreendido pelo número de gols registrados. Foram 33 em 10 jogos, o que dá a média de mais de 3 gols por partida.

Aquele futebol de ficar se defendendo o tempo todo e esperar por uma bola para fazer um gol deu lugar a outro mais ofensivo. Parece que aos poucos vai se retomando a consciência que o que vale na vida não é só o resultado, mas sim a beleza que se é capaz de dar a ela.

O comentário carrega sua dose de ingenuidade porque os alívios ou desesperos surgem de uma vitória ou de uma derrota, mas, passado algum tempo, esses resultados viram estatística e, na frente desses números, na memória do torcedor, estão os grandes jogadores.

Vi o Palmeiras ser campeão ano passado e lembro do Dudu. Cansei de ver a equipe fazer um gol e recuar todos os seus jogadores para trás da linha da bola e ficar cercando até surgir um erro e fazer gol no contra-ataque. Eu ficava irritado e seus torcedores vaiavam.

Aliás, esta tática passou a ser usual das equipes e dos locutores que previam o que ia acontecer após o primeiro gol. Quem fazia gol recuava e quem tomava o gol atacava. Tinha técnico pregando entregar a bola para o adversário, esperar o erro e contra-atacar.

Evidente que a posse da bola é fundamental. Nessa busca desesperada por resultados esportivos e dinheiro contrariam-se princípios elementares da convivência humana. Ou você pensa que a primeira bola que uma criança ganha ela quer dividir com alguém?

Como vão fazer nas escolinhas de base? No seu desenvolvimento, a criança deve aprender a passar a bola e a importância do jogo coletivo para uma equipe. Mas como explicar para ela que é uma boa estratégia ficar na espreita e jogar em cima do erro do adversário?

Uma afirmação dessa beira a insanidade. Só pode fazer o gol quem tem a posse da bola. Abaixo esse joguinho chato e covarde. No tempo em que éramos reis no futebol, tinha um programa de uma rede de televisão chamado Gol, O Grande Momento do Futebol.