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Tristeza não tem fim, felicidade sim

02:00 | 08/04/2019

Deu no jornal: o Brasil despencou no ranking mundial de felicidade. Nossos índices de satisfação com a vida atingiram, no final do ano passado, seus mais baixos índices. Causas: desemprego, desigualdade socioeconômica, violência, insegurança e instabilidade política, ou seja, as de sempre, só que agora mais agudas. Na lamentável lista, ocupamos a 32ª posição, abaixo de países tais como Panamá, Guatemala e Israel. Há dez anos, segundo a mesma pesquisa, estávamos no mesmo patamar do Reino Unido e acima de nações como a França e a Alemanha, esbanjando alegria e confiança no futuro. Para muitos, esse mal estar tem sua raiz no retrocesso que ora atravessamos, na luta cruel da barbárie contra a civilização, para além da civilizada repressão de impulsos.

Se o Brasil está assim, capiongo, o Nordeste é a sua região onde o nível de gente macambúzia é o mais elevado. Deste contingente, os pobres, e com certeza os de direita, deprimidas jabuticabas, são os que mais reclamam da existência. Se Freud dizia que a felicidade era uma ilusão, nem isso mais nós, filhos de Mãe Preta e Pai João, conseguimos experimentar. Risonhos por aqui só a turma do andar de cima, a que vive em nababesca e eterna festa, aliás, a que apresenta o mais alto teor de hapiness dentre as elites brazucas. Ou seja, a velha Belíndia, Bélgica e Índia separadas por uma rua. Há estoicos que dizem aprender com o sofrimento que a tristeza lhes proporciona. Hedonista, melancolia para mim só no blues que ouço: Everyday, everyday I got the blues.

Na outra ponta do novelo, Finlândia, Dinamarca e Noruega, nesta ordem decrescente, são os países mais felizes do planeta Terra. O torrão de Alvar Aalto e Kimi Räikkönen bota para quebrar em quesitos tais como programas de bem estar social, prosperidade, sustentabilidade, igualdade e percepção sobre o país, traduzidos em uma vida simples e sem ostentação. O estudo também apontou que os norte-americanos estão cada vez mais infelizes por estarem aferrados a uma epidemia de vícios (junk food, remédios e cyberworld em excesso); que o engajamento político reflete o prazer com o próprio passadio; e que os pessimistas tendem a apoiar líderes políticos populistas e impopulares. No resto do mundo só rola o coquetel Prozac com Mafú e

Removedor Faísca...

Talvez seguindo o exemplo dos finlandeses, dia desses deparei na internet com o extraordinário balé de 40 cachalotes no alto mar defronte ao litoral de São Paulo. Os cetáceos, alguns com quase 20 metros de comprimento, faziam evoluções e esguichavam em jatos sincronizados, numa dança marinha que dava gosto de ver. Pensei com meus imaginários botões de madrepérola: "Quem dera ser um bicho assim". O impertinente noticiário levou-me de volta à dura realidade: Entre 2014 e 2018, a crise econômica levou à pobreza extrema 7,3 milhões de brasileiros e atingiu 21% da população (43,5 milhões de pessoas). Pois é, Gonzaguinha, e agora com o bozo, os três filhotes, o queiroz, a damares, o vélez, o moro e o ernesto é que não dá mesmo para ser feliz, né?

 

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