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Os comentários dos leitores II: como lidar

01:30 | 28/04/2019

Provocados pelo tema abordado na coluna de domingo passado, alguns leitores me escreveram comentando o tema e sugerindo alternativas. Ao debater sobre os comentários dos leitores nas notícias e nos artigos do O POVO, abordei sobre a moderação - que existe, mas não dá conta das ofensas, dos desrespeitos e da identificação de perfis falsos na rede.

"Por que não restringir os comentários aos assinantes do jornal?" - foi o que mais questionaram alguns dos leitores. É uma opção, adotada por alguns veículos até. A vantagem é que teríamos à disposição a identificação daqueles que comentariam e facilmente seriam reconhecidos se escrevessem algo inadequado, como um xingamento. A desvantagem é que excluiríamos os leitores não assinantes, colocando-os à margem do processo participativo.

Uma leitora sugeriu a criação de alguma ferramenta que automaticamente elimine a publicação de determinadas palavras e expressões previamente cadastradas e consideradas ofensivas ou chulas. "Vários portais de notícias fazem isso, tanto que alguns usuários usam asteriscos e outros caracteres quando querem xingar!", cita Célia Germano. Como há jeito de burlar quase tudo, ela citou uma das formas de fraudar o sistema, fazendo o uso desses caracteres. É certo que as palavras ofensivas não seriam escritas, literalmente, mas teríamos chegado ao objetivo proposto quando embaça a ferramenta desse modo?

Não permitir comentários de anônimos também deve ser uma preocupação. Se o investimento agora também é em jornalismo online/digital, os veículos precisam encontrar meios - reforços tecnológicos e humanos - para moderar os comentários e não contribuir com o clima de animosidade. Permitir que toda publicação que comente a notícia seja livre para constranger alguém é, de certa forma, admitir que não se tenha condições de amainar as tensões que se intensificam.

Ainda os Erramos

É sabido que um dos princípios básicos do jornalismo é corrigir o erro quando detectado. Nem sempre é fácil, porém. Depois que o erro é observado, ainda há alguma resistência em admitir e publicar a retificação. Não é confortável, já afirmamos e repetimos, mas é compromisso com a verdade e, portanto, com o leitor.

É tarefa do jornalista, e do meio em que a notícia é veiculada, publicar uma informação verdadeira, que corresponda à realidade. Quando isso não foi possível, por erro não proposital durante o processo, há a errata jornalística para esclarecer e, aí sim, publicar a informação correta. O POVO tem o "Erramos" e é o único jornal impresso cearense que veicula suas incorreções constantemente - ou deveria fazê-lo à medida que notasse seus erros. A seção existe, mas, para ser publicada, precisa de uma insistência por vezes vigorosa.

No portal, a publicação da retificação e da informação atualizada ocorre, mas não em todas as matérias nem com a frequência que deveria. Nas redes sociais, as correções nos textos são feitas, mas nem sempre há a informação da retificação.

Nos primeiros três meses de 2019, o jornal impresso publicou 21 incorreções, incluindo retificações em matérias e notas de colunas, de acordo com levantamento do O POVO.Doc. É pouco, porque erramos mais. É difícil imaginar, por exemplo, que, em todo o mês de fevereiro, por menor que seja, tenhamos errado apenas em três momentos. E no mês seguinte, a quantidade de incorreções tenha mais do que quadruplicado. Afinal, qual é o critério para publicação dos Erramos? Ao tempo em que é nossa responsabilidade social a qualidade da informação, é direito do leitor o acesso a uma informação verdadeira. Correta, portanto.

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