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Despedida

00:30 | 08/12/2020

Ao mesmo tempo em que eu queria partilhar alguns momentos contigo, eu sabia que não devia, não mais, e estava tudo bem.

Naquele fim de semana que dormimos juntos, acordei bem cedo, sim, além dos problemas externos, o que eu estava sentindo serviu como combustível para a minha insônia. Fiquei velando a minha falta de sono enquanto repassava tudo, sabe a lista de "prós e contras"? Pois bem, eu fiz. Se o meu lado emocional falasse mais, os prós venceriam, já se o meu lado racional levantasse a voz, os contras sairiam correndo em disparada. Passei uma boa borracha naquilo tudo e me forcei a dormir. Adormeci olhando pra ti e sentindo a tua respiração branda. Não era a primeira vez que eu era protagonista de tal situação, eu me sentia mais firme, como se meus pés fossem as raízes e os teus pés não fossem mais a terra que eu sentia que devia continuar com os pés enterrados. Mas é que eu te queria tão bem. Eu gostava de como nós combinávamos. Verbos no passado querem dizer algo ou estou me prendendo a algo pequeno? Eu te queria, mas preciso partir, espero que entenda, mas caso não, partirei mesmo assim. Continuarei torcendo por ti, mesmo de longe estarei fazendo isso.

Consegui cochilar uns minutos, mas meu inconsciente se manteve em alerta, então logo acordei. Tomei banho, escovei os dentes, me despedi daquela aranha pequena que costumava nos observar do teto do banheiro. Dei uma última olhada na casa, não sentia tristeza nem alegria, não sentia nada. Peguei minhas coisas, roubei um desenho teu e deixei um recado ao teu lado, na cama. Dei-te um beijo e com esse gesto você meio sonolento me abraçou e balbuciou umas meias palavras inaudíveis, eu só respondi continua a dormir e fica bem.

A possível despedida já tinha sido pauta de inúmeros diálogos, sabíamos que ela chegaria, e chegou. Cabe aqui dizer que este texto não é de dor nem de desamor.

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