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Jornal do Leitor: Raízes das lembranças

01:30 | 04/02/2020

Andar. Os médicos podem dizer que são apenas movimentos inconscientes que aprendemos ainda na infância. De fato é isso mesmo. Porém, andar pelo meu bairro é algo surreal cheio de nostalgias e lembranças, é como se eu visse vários de mim espalhados ocupando todos os espaços vazios, com as mesmas pessoas ou pessoas diferentes, fazendo coisas diferentes. Olho pra ponte da Barra e me vejo lá em cima olhando a "pontezinha", observando eu andando segurando a mão do meu pai para atravessar de barco pro outro lado, enquanto simultaneamente eu estou dentro do globo de metal que se encontra no meio da praça Alberto de Souza, escuto um grito: "Menino, sai logo daí que, se tu ficar preso, nós vamo te deixar por aí mermo, viu?!". Fico desesperado com medo de ser abandonado. Do lado do píer eu vejo a canoa do meu pai que se chamava Isaac, e eu também estou lá dentro tentando pegar umas tainha e... caramba, eu estou por todas as partes.

Mas meu bairro é isso, história, fotografia e muitas lembranças que milagrosamente são algo imune ao mar bravo do esquecimento que inunda minha cabeça. Barra do Ceará, caixa de lembranças, livro de histórias pessoais sem gravuras, apenas textos e letras.

 

Jefte Souza

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