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Jornal do Leitor: Lei do silêncio

01:30 | 17/12/2019

Foi na calada da noite que se ouviu o último som emanado por aquela caixa. Às 23h59min, os guardas chegaram ao local para recolher o equipamento responsável pela balbúrdia instaurada há algum tempo. Sem avisos, sem conversas, eles retiraram a caixa de maneira brusca e impediram que o falatório continuasse. A "calmaria", a partir daquele momento, estava estabelecida.

O relógio virou e os ponteiros marcaram o horário de meia-noite. Inicialmente, o que era apenas um recolhimento de uma caixa se tornou um decreto de primeira ordem: ninguém mais poderia fazer barulho. Nenhuma manifestação ou balbúrdia. A "paz" e a "ordem" concretizadas.

Entretanto, quem teria o poder de definir o que seria desordem e o que seria permissível? No calar da noite, não houve voz que pudesse ser escutada.

 

Miguel Araújo

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