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Conceição Ferreira Pinto: Dor de cotovelo

01:30 | 19/11/2019

Pegaste-me de cheio;

Fiquei sem chão,

Parti-me ao meio.

E em meio a falsas verdades,

Sorrisos, popularidade.

Esvaiu-se a sanidade.

Que tola! Pois, na verdade,

A minha sobriedade

Perdeu-se na tua ébria

E pobre dignidade.

Como é que eu fico agora?

Chegaste a cem por hora,

Piraste meu coração,

Jogaste-me numa prisão

E, como um ladrão, foste embora.

Porém, nada mais importa;

Somente sarar a ferida:

Essa dor do cotovelo

Que tu fizeste em pedaços.

Preciso aprumar meus passos,

Refazer minha leveza,

Reaprender a viver

Sem a constante incerteza

De ver-te sempre presente

Rondando a minha mente,

Fazendo minh' alma presa.

Eis a mulher que suplica:

'Afasta de mim esse cálice

Da ira, da dor, do rancor,

Do medo que guardo em segredo:

De não saber mais do amor, Pai',

De quando fechada a fissura

Sequer erguer os meus braços

E correr para os abraços

De quem comigo chorou.

 

Conceição Ferreira Pinto