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O que Joice quer, o que Camilo pode entregar

09:53 | 30/06/2019

No seu estilo impetuoso, muitas vezes inadequado àquele, ou àquela, que exerce uma função de liderança do Governo e necessariamente precisa ter uma postura o tempo todo aberto à conversa e que nunca aparente disposição de colocar o interlocutor contra a parede, a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP) explicitou uma queixa recorrente ao cobrar que o governador do Ceará, Camilo Santana, entre de verdade na articulação pela aprovação da reforma da Previdência. O tema, de fato, não tem estado presente com força às conversas mais reservadas de Camilo com a bancada cearense, apesar de serem fartas as manifestações públicas dele, especialmente através da imprensa.

Houve momento, até, em que o governador cearense apresentou-se como alguém disposto a fazer articulação em apoio ao texto que estava sendo discutido na Câmara. A coisa não prosperou muito, com esta característica, embora tenha animado gente do governo, mais pelo fato de ser um petista anunciando-se pronto a abraçar uma pauta que seu partido recusa discutir do que propriamente pela força real que Camilo teria de mudar votos no conjunto geral dos deputados. Claro que sobre a bancada do Estado haveria chance de ele promover mudanças de posicionamento a partir do seu poder objetivo de influência.

Há um outro aspecto interessante na pressão que o Planalto tenta exercer sobre o cearense Camilo Santana, aproveitando a estada entre nós de uma de suas vozes mais influentes. É que o andar dos fatos demonstra que dificilmente vai ser possível extrair qualquer posicionamento de um governador do Nordeste que não seja a postura adotada pelo coletivo, fruto de uma ação articulada entre eles que a história não conseguirá registrar nível semelhante em outra etapa da vida regional. Em politiquês claro, qualquer tática diversionista que se aplique ao bloco nordestino, hoje, terá enorme chance de não emplacar, porque é real a força de conjunto que decidiram apresentar como peso no debate da política contemporânea. É uma estratégia de sobrevivência, quase.

Alguns querem mais que o processo avance na Câmara, outros querem menos, mas, insista-se, é pouco provável que aconteça uma individualização de atitudes entre os governadores nordestinos diante da agenda. Ainda mais, olhando-se para o caso cearense, onde pelo menos a metade dos deputados e senadores vinculam-se a siglas partidárias já com questão fechada contra o texto encaminhado, embora não necessariamente refratários à ideia de que o modelo previdenciário no Brasil precisa de uma reforma. A verdade é que o governo amplia a pressão dentro de um esforço geral, agora que chegou-se à reta final da tramitação na Comissão Especial da Câmara, para fazer as peças se moverem uma casa no grande jogo que está sendo jogado na política nacional.

CAIU NAS REDES, É POLÍTICA

As movimentações recentes do empresário Prisco Bezerra merecem mesmo uma atenção maior. Sua entrada no Facebook é uma pista, ainda mais quando se tem conhecimento de que ele está à procura de profissionais para cuidarem de suas redes sociais, espaços dos quais sempre fez questão de manter regulamentar distância. Pode ser, sim, sinal de perspectivas de mudanças futuras na representação cearense no Senado.

UM OLHO NO PRATO

Há determinadas agendas políticas que chamam atenção maior ou menor de acordo com as circunstâncias de momento. Por exemplo, a diretoria da CDL Fortaleza receber o presidente da Assembleia Legislativa seria um evento de rotina, para um registro burocrático. Não fosse o fato de que quem ocupa o cargo hoje é o deputado José Sarto, alternativa não descartada para disputa da prefeitura em 2020.

E O OUTRO NO VOTO

Sarto é ex-vereador em Fortaleza, presidiu a Câmara Municipal entre 1992 e 1994 e atua forte na política da capital. Seu nome consta sim entre as opções possíveis do PDT, considerando não haver a tal candidatura natural estabelecida no grupo que quer a continuação da gestão de Roberto Cláudio. Portanto, faz sentido dar atenção política a este almoço de amanhã, que começa ao meio-dia, na sede da CDL.

O INCÊNDIO AMIGO

A guerra fratricida entre os deputados estaduais André Fernandes e Delegado Cavalcante e o deputado federal Heitor Freire, com declarações fortemente agressivas de um lado contra o outro, reforça a ideia de que essa turma nova que entrou na política para renová-la, trazida pela onda conservadora que varreu as eleições de 2018, chegou ao poder sem ainda a maturidade necessária para exercê-lo. E paga preço alto por isso.

QUEM PODERÁ LHES DEFENDER?

Como alertava um amigo, em meio à troca grave de acusações entre as duas alas do PSL, corre o risco de a população acreditar em tudo que os dois deputados estaduais têm denunciado nos últimos dias contra Heitor Freire, sem desacreditar no que este lança de volta contra André e Cavalcante, no mesmo tom acusatório. Ou seja, a representação do partido vive uma ameaça de autodestruição se alguém não intervir. Mas, quem?

A PRESSA DO MP

Dito isso, registre-se que também chamou atenção a inédita velocidade do Ministério Público na decisão de arquivar a denúncia de André Fernandes contra Nezinho Farias (PDT), sexta-feira à tarde. Pouquíssimo tempo depois de ouvir o deputado acusador, deixando dúvida quanto a real checagem do que ele apresentara como denúncia contra um colega de Assembleia. No mínimo, convinha dar mais algum tempo entre uma ação e outra.

JUÍZO PRÓ E

JUÍZO CONTRA

O caso The Intercept, com os vazamentos de diálogos atribuídos a procuradores da Lava Jato e ao então responsável pela 13ª Vara de Curitiba, Sérgio Moro, tocou fogo na Justiça federal. Como demonstram dois episódios registrados nos últimos dias.

Primeiro, houve o movimento de 30 magistrados que encaminharam documento à Associação de Juízes Federais do Brasil (Ajufe) pedindo que Moro seja expulso dos quadros da entidade, do qual ainda faz parte como sócio benemérito. Três deles cearenses, ou seja, 10 por cento, Os nomes:

- Ricardo José Brito Bastos Aguiar de Arruda

- Sérgio de Norões Milfont Júnior

- Jorge Luís Girão Barreto

Na reação, documento muito mais robusto, com 270 nomes, apoiou o ex-colega e defendeu sua permanência nos quadros, caminho que a Ajufe acabou adotando ao arquivar o pedido de expulsão. A adesão dos magistrados cearenses, neste caso, foi proporcionalmente muito menor, com sete juízes (índice pouco abaixo de 3 por cento) saindo em defesa do ex-colega, hoje ministro da Justiça. Ei-los:

- Agapito Machado

- Danilo Fontenelle Sampaio

- Dartanhan Vercingetórix de Araújo e Rocha

- Francisco Luís Rios Alves

- Karla de Almeida Miranda Maia

- Paula Emília Moura Aragão de Sousa Brasil

- Sérgio Fiúza Tahim de Sousa Brasil

Guálter George