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A TURMA DO CEARÁ AJUDOU A OAB A FALAR GROSSO

01:30 | 16/06/2019

O tom da nota pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nacional sobre as conversas vazadas entre o juiz federal Sérgio Moro e os procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato, dos mais duros que a entidade já produziu, inclusive com sugestão de afastamento de seus cargos do atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, e do coordenador da força tarefa da Lava Jato, procurador Deltan Dalllagnol, teve participação decisiva dos cearenses no debate que levou à sua versão final. Especialmente na voz de dois dos conselheiros que representavam o Estado, Hélio Leitão e André Costa.

Um dos pontos que gerou mais discussões, numa reunião marcada por elas, centrou-se na escolha do termo capaz de levar à atitude mais conveniente diante da situação. Em resumo, era o caso de "recomendar" ou "pedir" o afastamento dos envolvidos nos escandalosos diálogos tornados públicos pelo site The Intercept? A situação expunha uma promiscuidade entre representantes do Ministério Público e da Justiça, entre acusadores e julgadores, em nível suficiente para colocar em dúvida o respeito àquilo que se exige de básico num processo, que é o distanciamento entre as partes. Ou seja, o que menos se extrai de todas aquelas conversas é algum esforço dos envolvidos de buscar que se fizesse justiça.

A necessidade de pedir afastamento foi a posição unânime do grupo cearense, também integrado pelo ex-presidente da seccional, Marcelo Mota. O certo é que, ao lado de paraenses e sergipanos, os conterrâneos de Clóvis Beviláqua tensionaram pela adoção de cores mais fortes no documento, como expressão de um incômodo que é de toda advocacia nacional, abstraindo-se qualquer simpatia pessoal ou ideológica diante da situação. Por mais que ela capte, nos seus contornos, um (mau) cheiro de política muito forte.

No final do debate até prevaleceu uma ideia menos extremada, de uma mera recomendação no sentido de os agentes públicos envolvidos serem afastados, mas, apesar disso, o texto divulgado ao público, no geral, sobe alguns níveis no tom da crítica que a Ordem mantinha como padrão dos últimos anos. Um indicador importante de que, na perspectiva de uma turma que se entendia inatingível respaldando-se na nobreza da missão que entendia estar cumprindo em nome da sociedade, boa parte dela estabelecida na bela Curitiba, o jogo está virando.

A VOZ DA FILHA

A leitura de uma carta assinada pela filha, Ana Cecília, será um dos trunfos que o senador cearense Luis Eduardo Girão, do Podemos, pretende levar ao plenário na sessão, possivelmente terça-feira, na qual se votará relatório propondo anulação do decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que facilita a posse e o porte de armas no País. Certamente, com conteúdo suficiente para converter indecisos em relação ao tema.

O OLHAR DE QUEM VIU

Um apelo dela terá potencial sensibilizador, imagina-se, pelo fato de ter como base a experiência pessoal que enfrentou no colégio da Flórida que frequentava, em fevereiro de 2018, quando a ação de um atirador, ex-aluno, deixou 17 pessoas mortas. Detalhe: fazendo uso de armas adquiridas legalmente. Há grandes chances de Bolsonaro experimentar mais uma derrota no Congresso com a votação.

CONVERSA DE REDE SOCIAL

Com o peso que carrega de ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, preso ou solto, não pode jogar o simbolismo de sua representação política no respaldo a teses sem pé nem cabeça que costumam circular alimentadas pelo ambiente inconsequente das redes sociais. É o que fez em entrevista na semana ao declarar que não acredita que Jair Bolsonaro, de fato, tenha sofrido uma facada durante a campanha.

O ELENCO SERIA MAIOR

Assim, Lula lança desconfiança não apenas sobre a palavra de Bolsonaro. Coloca em dúvida o comportamento ético de muita gente que respalda a história, nos hospitais onde esteve, por exemplo, em meio a urgências, cirurgias, consultas e visitas. Há nomes, rostos e assinaturas chancelando a versão. Se é por convicção, apenas, é ainda pior. Uma mentira desse tamanho, aos olhos do País, exige muito mais atores para se por de pé.

PSDB: PERSONA NON GRATA

O tucanato cearense está revoltado com a presença na Assembleia, amanhã, do ex-presidente da Petrobras na era petista, Sérgio Gabrielli. Até nota oficial a executiva do PSDB estadual liberou para questionar a participação dele em debate sobre a Lubnor, refinaria de lubrificantes sediada em Fortaleza que caminha para ser privatizada, lembrando que a sua atuação no cargo sempre conflitou com os interesses do Estado.

PT: TAPETE VERMELHO

A nota lista os vários momentos nos quais, alega-se, o baiano Gabrielli usou a cadeira estratégica que ocupava para atuar contra os interesses do Ceará. Claro que também é lembrado que ele presidiu a Petrobras durante boa parte do tempo em que aconteceram os desvios e os crimes investigados na operação Lava Jato. A audiência foi sugerida pelo deputado petista Moisés Braz, que mantém silêncio sobre a gritaria tucana.

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