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O script das sucessões

00:00 | 03/07/2019

Desde que a reeleição foi instituída, as disputas pela Prefeitura de Fortaleza têm um padrão: o prefeito que está no cargo concorre a um novo mandato. Quando não pode mais disputar reeleição, escolhe um secretário como candidato. Há um padrão, também, nos resultados até hoje. Todos os prefeitos que concorreram à reeleição em Fortaleza venceram. E todos os secretários que eles indicaram como sucessores perderam.

Roberto Cláudio (PDT) dá sinais de que pretende seguir a velha receita, sem a parte de perder. O escolhido, ao que tudo indica, tende a ser o secretário de Governo, Samuel Dias. Pelo menos, o prefeito trabalha nesse sentido.

A escolha por alguém de dentro da gestão tem vantagens e desvantagens. A principal vantagem é se tratar de alguém de confiança. E que defenderá a administração que se encerra - algo muito prezado por quem está no fim do mandato. A experiência pode ser preciosa, também, pensando no eventual futuro governo.

A desvantagem é carregar, mais que alguém de fora, o desgaste da administração. Esse é o aspecto central para que o candidato de Roberto Cláudio venha a ter destino diferente dos predecessores.

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Como não repetir o script

Máximas em política acabam caindo, cedo ou tarde. Até 2014, fazia 40 anos que não era eleito um senador no Ceará sem apoio do governador vitorioso naquele pleito. Nas duas últimas eleições, venceu alguém de fora da chapa vitoriosa para o Executivo - Tasso uma vez, Luis Eduardo Girão na outra.

Do mesmo modo, a máxima de que prefeitos reeleitos não fazem sucessor em Fortaleza valeu até aqui. Se vai se repetir no futuro, depende do que foi feito até lá.

Quando Luizianne Lins (PT) saiu da Prefeitura, seu escolhido era Waldemir Catanho (PT), assessor especial que, na prática, era secretário das Finanças. Catanho não topou e a missão recaiu sobre o ex-secretário da Educação, hoje deputado Elmano de Freitas (PT). Fez um disputado segundo turno contra Roberto Cláudio.

Em 2004, Juraci Magalhães indicou como sucessor seu secretário das Finanças, Aloisio Carvalho (MDB). Perdeu, e com desempenho bem pior que o de Elmano: foi apenas o quinto colocado.

Juraci e Luizianne chegaram ao fim de seus mandatos um tanto desgastados. Natural para quem vinha de oito anos de mandato - mais ainda para Juraci, que encerrava ciclo de 14 anos. Faz sentido, portanto, a estratégia de Roberto Cláudio de tratar de posicionar bem a administração perante o eleitorado, antes de definir o candidato. Afinal de contas, se a intenção é eleger alguém com a cara da administração, precisa que essa administração seja muito bem avaliada.

O que significam e o que não significam

Camilo Santana cumprimenta Tasso, sob olhares de Roberto Cláudio, José Sarto e Samuel Dias
Camilo Santana cumprimenta Tasso, sob olhares de Roberto Cláudio, José Sarto e Samuel Dias (Foto: MAURI MELO/O POVO)

Tasso participou do evento ao lado do prefeito. Samuel Dias disse que não está nos seus planos ser prefeito. Sabe o que isso significa? Nada, ou quase nada.

Dias afirma que não está nos planos, o que não significa que não possa vir a ocorrer. É diferente de quando Catanho disse que não queria. Não está nos planos do secretário, mas aparentemente está nos de Roberto Cláudio.

Quanto a Tasso, ele deixa as portas abertas. Não significa que irá apoiar. Tanto o prefeito quanto o governador Camilo Santana (PT) têm perfil que agrada o tucano. O acordo é possível, mas dependerá das circunstâncias políticas. Antes de 2018, Tasso elogiou Camilo e disse que ele tem "jeitão de tucano". Antes de 2016, também fez elogios à gestão de Roberto Cláudio. Nada disso virou acordo.

Érico Firmo