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Quem atirou e quem mandou atirar

00:00 | 16/03/2019

O massacre de Milagres é o maior desastre da história da Polícia do Ceará e caminha para ser confirmado como o maior erro. Foram 14 mortos, seis deles reféns. Que houve erro está claro desde o início. "Numa ocorrência com reféns, nada importa mais que preservar a vida dessas pessoas. Nada, nada, nada. Nesse sentido, a operação foi completo, total, absoluto, retumbante fracasso", escrevi no fatídico 7 de dezembro.

Tivessem eles sido mortos pelos criminosos acossados pela Polícia, já estaria evidente o erro dos policiais. Porém, os indicativos é de que foram mortos pelos próprios policiais. Terrível.

Conforme o repórter Demitri Túlio mostrou no O POVO de ontem, o relatório das investigações deverá apontar erro de comando. Conforme o laudo, os tiros partiram de fuzis, segundo havia informado antes o repórter Melquíades Júnior, do Sistema Verdes Mares. Seria evidência de que os tiros partiram dos policiais.

Chegaram a ser afastados 12 policiais por causa do desastre em Milagres. Oito deles foram reintegrados. Não se sabe até agora quantos participaram. Não foram poucos. Por isso, é importante identificar a responsabilidade pelo erro.

Se um policial ou dois cometem tal equívoco, poderia ser atitude tresloucada, precipitação, despreparo. Se, numa operação com mais de uma dezena de pessoas envolvidas, seis reféns são mortos pelas forças de segurança, junto com oito integrantes da quadrilha, o erro não foi individual. Foi coletivo. Veio de cima, portanto.

Alguns erros estavam claros desde o início. Na manhã após a matança, o titular da 5ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal, Gledstone Chaves, falou à rádio CBN Cariri e disse que não houve coordenação das ações. Informações não foram repassadas. A PRF foi chamada para retirar um caminhão atravessado na pista, no que acreditavam ser um acidente. Depararam-se com assalto a bancos com reféns. Foi um desastre e poderia ter sido píor. Escrevi em 11 de dezembro: "Houve erro de comando em Milagres". Leia neste link: bit.ly/milagrescomando

As informações apontam que policiais apertaram os gatilhos e mataram os reféns. Não agiram por conta própria. A questão é saber quem os mandou agir dessa forma. Quem deu a ordem.

 

Julgamento sobre caixa dois no STF
Julgamento sobre caixa dois no STF

Decisão do STF está pelo avesso

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre julgamentos que envolvem caixa dois está pelo avesso. Ficou estabelecido que, em casos que houver caixa dois e outros crimes - corrupção, por exemplo - caberá à Justiça Eleitoral julgar tudo.

A decisão é equivocada porque o caixa dois não é, jamais, o crime principal. Caixa dois consiste em omitir da prestação de contas repasses de campanha. O problema não é contábil. O crucial é o motivo pelo qual esse dinheiro estava oculto. Aí começa a investigação. É onde aparece propina, desvio de verba, favorecimento em contratos públicos...

Se a decisão é de não desmembrar o processo, era o caso de ir tudo para a Justiça Federal, inclusive o caixa dois. O aspecto eleitoral é a superfície. Mas, o STF parece preferir não ir mais fundo.

Secretaria de Desesquerdização é Ministério da Desburocratização com viés ideológico

O deputado Heitor Freire (PSL) sugeriu criar uma Secretaria de Desesquerdização. O objetivo seria rastrear pessoas de esquerda infiltradas no Governo Federal.

No governo José Sarney, havia o Ministério da Desborocratização. Foi o ápice do requinte burocrático, criar um ministério para acabar com a burocracia. A Secretaria da Desesquerdização é o Ministério da Desborocratização com viés ideológico.

Todo governo tem uma cota, que não é pequena, de pessoas a indicar. Se tem petista, comunista, anarquista, dadaísta dentro do governo, que exonerem e coloquem quem quiserem no lugar. Não precisa de mais órgão para isso.

Se, porém, os esquerdistas são concursados, nada a fazer. São agentes de Estado. Salvo se for identificada fraude em concurso, eles devem lá permanecer. E o governo deve governar com eles.

Érico Firmo