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Popularidade do governo e do presidente

00:00 | 27/02/2019

Saiu ontem a primeira pesquisa de opinião sobre o governo Jair Bolsonaro (PSL). Essa avaliação a essa altura não é das mais justas. É como avaliar um time na segunda rodada de um longo campeonato. De todo modo, o levantamento MDA, encomendado pela CNT, tem dados interessantes. O governo tem índice de ótimo ou bom de 38,9%. Não é ruim, mas também não é excepcional. É menos do que tinha Dilma Rousseff (PT) na primeira pesquisa do instituto e mais do que tinha Michel Temer (MDB). Dilma tinha 49,2% em agosto de 2010. Temer, 11,3% em junho de 2016. A petista tinha sete meses e mandato e Temer tinha um. As situações não são simétricas.

Não dá para dizer que 38,9% é a aprovação de Bolsonaro. Há os que consideram o governo regular: 29%. Nesse meio termo, cabe aprovação e desaprovação. Dado o histórico, pessoalmente acho que um governo regular é lucro.

É curioso que 57,5% aprovam o desempenho pessoal do presidente Bolsonaro. Ou seja, mais gente aprova o presidente do que acha o governo ótimo ou bom. São coisas de fato distintas a avaliação do governo e da pessoa do presidente.

Coisas interessantes: os que desaprovam Bolsonaro são 28,2%. Muito próximo dos 29,28% que votaram em Fernando Haddad (PT) no primeiro turno. Assim como os 57,5% que aprovam ficam só um pouco acima dos 55,13% que votaram em Bolsonaro no segundo turno. Pode ser coincidência, mas é curioso.

Conclusão: os primeiros e movimentados meses de Bolsonaro não provocaram mudanças extremas na opinião da população. Não há onda de reprovação, nem euforia. As pessoas estão dando tempo ao tempo, no que fazem bem.

Ministério com partido e em campanha

Foi um mérito o ministro Ricardo Vélez Rodríguez ter admitido que errou e ter recuado sobre a carta para que estudantes cantem o hino nacional. Muito melhor que a colega dele, Damares Alves, que defendeu aquilo que o próprio Vélez reconheceu como erro.

Cantar o hino não é problema nenhum. Nem é problema nem é novidade. Isso já ocorre normalmente. E está na lei.

O mais grave é o envio de carta às escolas, para ser lida aos estudantes, que termina com o lema de campanha do presidente da República. "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos". Isso é crime eleitoral. É ir mais longe do que jamais foi feito no uso da máquina na difusão da imagem de um presidente. Um governo que tanto reclama de doutrinação ultrapassou todos os limites. Não fez doutrinação, mas partiu para a campanha política mesmo.

Sinal preocupante de que o governo - o ministro, ao menos - ainda não desceu do palanque. Não entendeu que a campanha acabou. E é hora de governar.

Bom que o ministro reconheceu o erro. Falta mudar a postura.

Érico Firmo