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O reencontro de Tasso e Ciro

05:00 | 26/02/2019
Ciro e Tasso na última eleição em que foram aliados, em 2008, a favor de Patrícia Saboya
Ciro e Tasso na última eleição em que foram aliados, em 2008, a favor de Patrícia Saboya

Ciro Gomes (PDT) e Tasso Jereissati (PSDB) voltaram a conversar. A revelação foi feita ontem pelo ex-ministro, em entrevista à rádio Tribuna Band News - que, aliás, pertence a Tasso. O senador convidou Ciro para um café, conforme relato deste último, que disse ter ficado sensibilizado desde aí. O ex-ministro relatou que foi um papo de avôs, mostrando fotos dos respectivos netos. Meigo.

Os dois se distanciaram em 2010, quando Cid Gomes apoiou José Pimentel (PT) para o Senado, derrotando Tasso. Ciro não contou o que trataram de política. Mas, a reaproximação ocorre em momento delicado. Camilo Santana (PT) está no segundo mandato no Estado. Ano que vem haverá eleição em Fortaleza e a base governista não tem candidato natural. Novos ciclos começarão.

Nos últimos 33 anos, todos os governadores eleitos tiveram as bênçãos de Tasso, de Ciro, de ambos, quando não foram eles próprios. Mas, os tempos são outros, quando surgem novas forças e ideologias diferentes. Puxadas por Jair Bolsonaro (PSL), com quem nem um nem outro se dá.

Aparentemente perto do crepúsculo de suas carreiras, voltarão os dois a se aliar na busca de apontar os rumos futuros para o Ceará nestes novos tempos?

BOLSONARO PRECISA TERMINAR MANDATO, PARA O BEM DO BRASIL

Ciro Gomes disse também, na mesma entrevista, que não acredita que Jair Bolsonaro (PSL) chegue ao fim do mandato. O ex-governador falou que acha que o presidente não resistirá à perda de popularidade. Que o desgaste já está vindo. Caso a reforma da Previdência não passe, Ciro afirma que ele perderá apoio do mercado - e isso é verdade. Daí, segundo Ciro, as investigações serão implacáveis contras Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente envolvido em denúncias. Daí, na opinião de Ciro, Bolsonaro não resistirá e acabará por pedir para sair.

Bom, independentemente de opinião sobre Bolsonaro e o governo que ele faz, penso que seria péssimo para o Brasil, muito ruim mesmo, que ele não terminasse o mandato. Nos últimos 27 anos, dois presidentes sofreram impeachment, outro está preso. E o último, Michel Temer (MDB), é alvo de três denúncias e um inquérito.

Da revolução de 1930 para cá, já se vão nove décadas, apenas cinco presidentes foram eleitos pelo voto direto e terminaram o mandato. A conta inclui Dilma Rousseff (PT), que conclui o primeiro mandato (2011-2014), foi reeleita e sofreu impeachment no segundo. Na conta também está Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terminou dois mandatos, mas depois foi condenado e preso.

A eventual interrupção do mandato de Bolsonaro seria ruim para quem viesse depois dele. Assim como o impeachment de Dilma deixou menos instável e menos improvável pensar que o atual presidente possa não ficar até o fim.

Tantas interrupções da normalidade democrática são coisa de republiqueta. Essa instabilidade é ruim para a democracia. Certas ou erradas, as escolhas das urnas devem ser respeitadas, com seus ônus ou bônus. Salvo por motivos muito fortes e irrefutáveis, os mandatos devem ser cumpridos, para o bem da democracia, artigo tão frágil no Brasil.

A CULPADA PELA CRISE

Algumas mensagens que chegaram à coluna falam que a crise envolvendo o ex-ministro Gustavo Bebianno (PSL) é culpa da imprensa.

Ora mais. Quem nomeou Bebianno foi Bolsonaro.

Quem brigou com ele nas redes sociais foi o filho do Bolsonaro.

Quem demitiu foi o presidente.

O que a imprensa tem com isso? O problema foi ter mostrado as fraudes? Às quais o próprio Bolsonaro não nega e mandou Sergio Moro investigar. Era para esconder? Não era para mostrar?