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Editorial: Proteger quem salva vidas

01:30 | 29/03/2020

O resultado do enfrentamento global à pandemia de coronavírus dependerá de vários fatores e os mais importantes envolvem direta ou indiretamente os profissionais de saúde. Será impossível ter sucesso ou mesmo reduzir o tamanho do estrago sem que eles sejam protagonistas desde o planejamento da estratégia até as ações na ponta.

A população reconhece essa importância. Mundo afora e no Brasil também têm havido gestos de apoio e solidariedade, conforme O POVO registrou no editorial do domingo passado.

Ainda assim, as baixas são muitas. Para os que estão no atendimento direto aos pacientes não há opção. Eles estão vulneráveis a um vírus com alto poder contagioso. Portanto, muitos enfermeiros, médicos e outros profissionais ficarão doentes. Há o drama pessoal, pois são seres humanos, têm famílias. Vale para eles o mesmo que vale para qualquer pessoa que contrai a Covid-19, com o agravante de que não podem, por dever de ofício, adotar as mesmas precauções recomendáveis aos outros de nós.

E há o drama coletivo. Porque cada profissional de saúde que fica doente é uma pessoa a menos para atender os doentes, cujo número cresce a cada dia.

As redes de saúde do mundo todo estão submetidas a uma provação talvez sem precedentes. Faltam leitos, as UTis são insuficientes, as pessoas estão sem atendimento. Esse é um dos maiores dramas da pandemia pelo mundo. A falta de condições de atenção está entre os fatores que mais matam e mais agravam a doença. A saturação passa também pelos profissionais de saúde.

Na Itália, onde a situação é hoje mais dramática, as contagens apontam para em torno de cinco mil profissionais de saúde com diagnóstico de coronavírus. Até o começo da semana haviam morrido mais de 20 médicos.

A capacidade das redes de saúde para lidar com a pandemia é a infraestrutura primordial no enfrentamento dessa crise. O ponto de partida. E os profissionais da área são a parte mais importante disso. Se não houver leitos, mas houver enfermeiros e médicos, ainda há o que fazer. Leitos sem profissionais de saúde de nada servem.

Resguardar os trabalhadores dos hospitais e da rede de atendimento é uma das tarefas mais difíceis e importantes dessa pandemia. É imprescindível que seja feito o máximo esforço nessa direção. Proteger os profissionais de saúde é cuidar da vida de toda a população.