PUBLICIDADE

Editorial: O equilíbrio necessário na divergência política

01:30 | 15/03/2020

O Ceará sai de uma grande crise na segurança pública e o mundo vê se agravar uma ainda maior na saúde. Enquanto isso, o fato que mais mobilizou deputados estaduais no Ceará foi uma briga paroquial com troca de insultos os mais desqualificados. A cena foi captada pelas câmeras e ecoou pelo Estado. Assessores e parlamentares precisaram intervir para evitar a agressão física entre os parlamentares Leonardo Araújo (MDB) e Osmar Baquit (PDT).

É recorrente que os ânimos fiquem mais exaltados em ano de eleição. As disputas de poder local, os atritos entre grupos fazem parte da política. Até certo limite, são da essência do embate democrático. O confronto de ideias e a divergência de pensamento são da razão de existir do parlamento. Mas, outra condição democrática é o respeito mínimo às diferenças, a compreensão dos direitos de quem pensa diferente. O que houve na última semana na Assembleia Legislativa não é discordância, é desrespeito e violência.

O momento é crítico há várias semanas e por diferentes razões. É importante que as instituições atuem em conjunto, com o equilíbrio e a firmeza que o momento exige, com energias dedicadas ao problema a ser resolvido. À Assembleia Legislativa cabe o mais importante papel numa democracia: ser a representação do povo, da diversidade de pensamentos, visões, necessidades e possibilidades. Precisa ser a voz dos cearenses no diálogo do poder público no enfrentamento às emergências que se impõem. Não é admissível que esse foco seja desviado para brigas pessoais desqualificadas e ofensas rasteiras. Muito menos quando motivadas por disputas entre caciques, influenciadas pela proximidade das disputas de poder local.

O presidente da Assembleia, deputado José Sarto (PDT), afirmou que o Poder Legislativo tratará com rigor qualquer situação do tipo. É uma postura para preservar não apenas a imagem do Poder, mas o interesse público que justifica sua existência.

Atravessamos tempos em que diferenças de ideias são resolvidas pela violência. Os representantes eleitos precisam ser exemplo de maturidade e equilíbrio para lidar com as divergências sem recorrer à força como se argumento fosse.