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Editorial: A atenção aos números de mortes em rodovias

01:30 | 02/02/2020

Estatísticas disponibilizadas na última semana pela Polícia Rodoviária Federal trouxeram boas notícias para a segurança viária no Ceará. Elas apontaram uma redução no número de acidentes com vítimas fatais nas rodovias federais que cortam o Estado. Em 2019, foram 158 mortes registradas nessas BRs, menor número da década.

Os dados podem ser considerados ainda mais auspiciosos se for observada a tendência de queda no número de óbitos em estradas presente nos últimos quatro anos. E eles aparecem no esteio de uma sequência de boas notícias para o Estado em relação ao tema. Como a divulgada há duas semanas na qual o número de mortes no trânsito em Fortaleza foi reduzido pela metade em uma década.

Os resultados para o Ceará, contudo, vão na contramão do cenário nacional. No mesmo período, um levantamento feito pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT) registrou aumento de 1,2% no número de mortes em decorrência de acidentes nas estradas federais em todo o País. No ano passado, foram 5.332 óbitos (63 a mais que em 2018), o primeiro aumento em sete anos. De 2012 a 2018, as mortes nas rodovias federais tiveram queda de 39,2%, com sucessivas reduções a cada ano.

Baseado nisso, a associação desse aumento aos meses em que vigorou a determinação do Governo Federal de retirar das rodovias sob sua administração os radares fixos de medição de velocidade, popularmente conhecidos como fotossensores, deve ser observada como um fator importante de análise. Porém, não pode ser o único.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a velocidade incompatível com a permitida aparece como causa para 8,9% dos acidentes nas estradas. Um número que não pode ser ignorado pelo Poder Público, mas que ainda está atrás de outros como a falta de atenção (37,1%) e a desobediência às normas de trânsito (12%).

A segurança viária é uma pauta que deve ser encarada com responsabilidade, em diálogo transparente com a sociedade e com políticas públicas que sejam fundamentadas nos estudos técnicos e pesquisas existentes. Medidas de fiscalização, de educação e de prevenção com inteligência precisam seguir juntas e de maneira harmoniosa com a conscientização da população para que o País caminhe rumo a melhores números.