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Editorial: Cuidados para uma cidade em festa

01:30 | 05/01/2020

Janeiro mal começou e o clima de Carnaval já se espalha por Fortaleza. Mesmo com a programação oficial de Pré-Carnaval (realizada pela Prefeitura de Fortaleza) tendo data prevista para iniciar somente no dia 22 deste mês, os festejos já tomam conta de diferentes bairros da Capital. Um exemplo é o bloco Hospício Cultural, que vem reunindo multidões no entorno da Praça da Gentilândia bem antes de fevereiro chegar.

Essa folia estendida que o fortalezense experimenta há alguns anos vem construindo terreno fértil para que se estreite ainda mais os laços com alguns espaços públicos. Parcela da população que não costuma frequentar eventos abertos aproveita para quebrar barreiras e descobrir outras formas de lidar com questões de segurança pública e de mobilidade urbana. Um importante ganho para uma cidade ainda tão apartada.

Para além da festa, porém, o Carnaval antecipado traz à tona alguns descuidos por parte do fortalezense. Um ponto que se exacerba é a imprudência em relação ao lixo gerado durante esses eventos. A Cidade acabou de sair de uma festa de Réveillon que gerou 50 toneladas de lixo, deixando o Aterro da Praia de Iracema tomado pela sujeira. Não dá para seguir ignorando a importância de cuidar do destino de cada produto consumido.

Outro alerta que se acende nesse período: o cuidado com o patrimônio público. A euforia da festa não pode vir acompanhada de ações de depredação. Na Praça dos Leões, por exemplo, não é raro a folia deixar como rastro bancos quebrados ou, ainda, danos nas estátuas que adornam o local (a da escritora Rachel de Queiroz, por exemplo). Outros espaços também precisam de cuidado como o Passeio Público (praça mais antiga da cidade) e os mercados dos Pinhões e da Aerolândia (cuja estrutura de ferro é um bem tombado pelo município).

O Pré-Carnaval também intensifica debate sobre assédio e outros tipos de abuso nas ruas. A festa não é desculpa para que os limites em relação ao trato com o outro sejam ultrapassados. É fundamental entender que os espaços são públicos, mas os corpos não são. A folia precisa ser interpretada como uma oportunidade de congregar alegrias a céu aberto e não de potencializar agressões, preconceitos, descuidos e imprudências.