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Editorial: A falta de transporte nos municípios

01:30 | 22/12/2019

Na mesma semana em que foram anunciados oito voos de Fortaleza para cidades do interior, cobrindo todas as regiões do Ceará - o que é uma ótima notícia -, levantamento realizado por este jornal mostra que, em relação ao transporte urbano, a situação é bastante precária no Estado. Segundo mostra reportagem publicada na edição de sexta-feira apenas uma cidade do interior, Eusébio, mantém linhas regulares de ônibus intramunicipal. A pauta foi realizada a propósito da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelando que apenas 30,1% das mais de cinco mil cidades brasileiras são atendidas por ônibus urbanos.

É de se imaginar a dificuldade de deslocamento que sofrem esses munícipes, principalmente os moradores de distritos mais distantes, obrigados a se valerem de meios impróprios e inseguros para conseguir transitar de um lugar a outro. A situação é tão problemática que a repórter Luana Severo, que produziu a matéria, encontrou dificuldade em fazer levantamento mais detalhado devido à inexistência de algum órgão, público ou privado, que acompanhasse a situação do transporte intramunicipal. Porém, desde 2012, a Política Nacional de Mobilidade Urbana determina a "equidade no acesso dos cidadãos ao transporte público" para garantir o transporte público de qualidade, mas pouco se avançou desde que a legislação foi aprovada.

Uma exceção no Ceará é o município do Eusébio, com cerca de 53 mil habitantes, na região metropolitana de Fortaleza. Há quase dez anos foi implementada uma dezena de linhas de ônibus urbanos para atender à demanda da população. O circuito cobre 90% dos bairros da cidade, custando 1% da arrecadação anual do Executivo. O sistema atende em torno de 70 mil passageiros por mês. E o mais importante: o serviço é gratuito.

O prefeito Acilon Gonçalves diz que duas novas linhas diurnas e "corujões" (ônibus que circulam até de madrugada) deverão ser implementadas brevemente. Para ele, oferecer transporte de qualidade sem custo aos passageiros é possível com "planejamento e sensibilidade por parte do poder público".

Ainda que nem todos os municípios possam ter arrecadação suficiente para seguir os mesmos passos, a sugestão do prefeito do Eusébio, "planejamento e sensibilidade", lança o desafio a ser abraçado por outras cidades no que diz respeito ao transporte público.