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Opiniao

Editorial: Padrinhos e madrinhas

01:30 | 01/12/2019

Um programa para melhor assistir a crianças entre sete e 17 anos de idade, que esperam adoção, vem sendo desenvolvido há alguns anos pela Defensoria Pública do Estado do Ceará, em parceria com o Tribunal de Justiça (TJCE). O projeto Estreitando Laços foi regulamentado em 2015 e conta atualmente com 143 padrinhos e madrinhas para as 457 crianças e adolescentes em acolhimento institucional em Fortaleza.

A faixa etária escolhida explica-se pelo fato de ser nesse interstício de idade em que é mais difícil a adoção, ficando as crianças e adolescentes por mais tempo nas instituições de acolhimento. Enquanto elas aguardam adoção definitiva, os padrinhos e madrinhas podem contribuir em três modalidades: financeira, prestação de serviços e afetiva, que permite uma convivência mais próxima com o apadrinhado.

Nathália Cruz, coordenadora dos Processos Administrativos e Judiciais de Infância e Juventude, no Fórum Clóvis Beviláqua, disse que o programa é voltado para melhorar a situação emocional das crianças que esperam por um lar definitivo, conforme declaração a este jornal (28/11/2019). "Convivendo com uma família, eles passam a ter novas referências e têm melhoria na autoestima. Vão entender que a vida vai além da instituição", afirma Joselita Camelo, psicóloga do setor de apadrinhamento.

De fato, ao propiciar esse encontro com um padrinho ou madrinha, a criança ou o adolescente passam a ter um modelo, que lhes será importante na vida, algo que o abrigo - por melhor que seja - não tem condições de oferecer. Sem essa oportunidade o jovem - que precisa deixar o local de acolhimento aos 18 anos, se não conseguir adoção definitiva - sairia sem nenhuma noção de convivência familiar.

Portanto, é confortador saber que a Defensoria Pública e o Tribunal de Justiça do Ceará coordenam essa iniciativa de tamanha importância social, trabalhando além de seu dever estrito. Assim, as duas instituições dão exemplo ao mostrar, na prática, ser possível construir espaços de amor e convivência, mesmo em momentos em que a intolerância ameaça o equilíbrio que deveria prevalecer na sociedade.