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Editorial: Qualificação: mão da obra industrial

01:30 | 01/10/2019

O Ceará tem mais de 277,5 mil trabalhadores nos níveis superior e técnico necessitados de qualificação para entrar ou permanecer no mercado de trabalho nos próximos quatro anos. A demanda foi identificada no Mapa do Trabalho Industrial 2019-2023 elaborado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para subsidiar a oferta de cursos da instituição. Contudo, há três anos eram 380 mil profissionais sem esse tipo de qualificação.

Isso significa que, de 2016 até agora, uma média anual de cerca de 34 mil profissionais foram qualificados para o mercado de trabalho contemporâneo. Número que indica um esforço inegável tanto do Estado, quanto da Academia e da Indústria para atender às novas tecnologias. Iniciativa que está ainda aquém do estimado para acompanhar a demanda de uma sociedade em constante atualização de padrões técnico-produtivos. Esse retardamento tem como causa o fato de que durante muito tempo houve uma lacuna considerável na formação de profissionais técnicos no Brasil (o que foi replicado no Ceará), por conta do foco maior foi na graduação - segundo análise do próprio Senai regional que, atento a isso, investiu no Ceará mais de R$ 55 milhões em equipamentos de laboratório e maquinário. Há previsibilidade de outros R$ 14 milhões para serem aplicados até abril de 2020. No rastro desse investimento estará o lançamento de mais 125 novos cursos profissionais, sobretudo, nas áreas de tecnologia da inovação, com cursos voltados para automação, robotização e soldagem com equipamentos de ponta.

Na verdade, não se trata necessariamente de novos postos de trabalho, mas sim de uma demanda maior por cursos de aperfeiçoamento (formação continuada) de trabalhadores que já estão empregados. As vagas para a capacitação de quem quer ingressar no mercado de trabalho (formação inicial) ocupam 25% dessa oferta.

Tudo isso para acompanhar as demandas de setores como o da indústria têxtil, indústria calçadista, polo metalmecânico, energias renováveis e telecomunicações, cujas inovações tecnológicas devem ser plenamente respondidas por gente qualificada e treinada para as novas exigências do processo produtivo industrial.

Maquinários de última geração estão substituindo constantemente os que estão ficando defasados. O conhecimento que se exigia de um profissional há dez anos, mesmo em funções mais básicas, já não é o mesmo de agora. A área de energias renováveis, por exemplo, está crescendo muito no Estado e também exige qualificação porque possui muita incorporação tecnológica. Evidentemente, há ainda um largo terreno a atravessar nessa área, no Brasil, até que se imponha a questão, já posta nos países avançados, do que fazer com a mão de obra a ser substituída pela automação. Mas, aí, é outra conversa.