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O Ceará não pode faltar com o Incor Criança

01:30 | 05/07/2019

O Instituto do Coração da Criança e do Adolescente (Incor Criança), a entidade que presta assistência médica especializada (sobretudo cirurgias) a crianças cardiopatas congênitas, bem como a adolescentes com algum tipo de problema nessa área, acaba de ganhar um terreno no bairro Parque Manibura, em Fortaleza, e se mobiliza para nele construir sua sede (com toda estrutura requerida), sobretudo, seu hospital, há muito ansiado. Uma campanha de doação virtual está em pleno andamento para dar início à primeira etapa do projeto.

O Incor Criança foi criado em 2003 por um grupo de profissionais da área, familiares de pacientes e os chamados Amigos do Coração. Até 2008, a entidade contou com o apoio do SUS, e durante esse tempo, realizou a parte cirúrgica através de parcerias com algumas unidades hospitalares locais. Isso não foi mais possível a partir do momento em que o SUS desligou-a de sua rede, naquele ano. Finalmente, após 11 anos sem esse apoio oficial, o SUS voltou a dar suporte à entidade (que não tem fins lucrativos), permitindo-lhe firmar a atual parceria com o Hospital São Camilo, onde as delicadas cirurgias passam a ser realizadas.

Levantamentos indicam que de cada mil crianças brasileiras, cerca de oito nascem com doenças no coração. Os óbitos anuais no Brasil nesse segmento chegam a 23 mil. Há dois tipos de cardiopatias congênitas: as cianogênicas (são as mais graves, exigindo tratamento urgente, às vezes, nas primeiras horas de vida da criança) e as acianogênicas (menos graves, podendo ser tratadas com mais espaço de tempo). Muitas crianças morrem nos primeiros dias de nascidas porque são muito poucos os médicos com capacitação suficiente para identificar corretamente as cardiopatias congênitas.

Quando estas são cianogênicas, a pele do bebê fica arroxeada ("bebês azuis") devido à má-formação dos grandes vasos do coração. A posição das artérias está invertida e a inversão tem que ser desfeita imediatamente através de uma cirurgia chamada de transposição das artérias. Exige a perícia de um cirurgião neonatal, uma especialidade ainda rara no País. O Ceará tem o privilégio de dispor de uma equipe com sumidades nessa área, sendo um dos poucos estados do Brasil a gozar dessa condição. Muitos bebês foram salvos aqui por conta disso.

Com o hospital e sede próprias, o Incor Criança poderá realizar todo o amplo e benemérito projeto que tem em vista, inclusive o de voltar a ter a Casa da Criança Cardiopata, para acomodar famílias de pacientes carentes provindos do Interior. Enquanto funcionou, até 2008, eles recebiam alimentação, apoio social e atendimento terapêutico ocupacional e psicológico. Daí, a importância da atual campanha de doações para viabilizar a primeira etapa do projeto.