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NOTÍCIA

Um acolhimento obrigatório

01:30 | 30/06/2019

A Casa da Mulher Brasileira (CMB) completou um ano de atividade em Fortaleza, com o atendimento de 16.630 mulheres no período, conforme mostrou notícia publicada na edição de 27/6/2019. O equipamento - previsto para ser instalado em várias cidades do País -, foi instituído em agosto de 2013 pelo Governo Federal com o objetivo de concentrar, em um único espaço público, serviços multidisciplinares para o atendimento às mulheres em situação de violência.

Pelo perfil das mulheres atendidas em Fortaleza observa-se a importância do equipamento. A maioria delas não tem nenhuma renda (35%) e outras 48% recebem entre meio e três salários mínimos, portanto, são pessoas que não teriam condições de conseguir atendimento sem a ajuda do poder público.

De início foram previstas a instalação de 27 unidades da Casa da Mulher Brasileira, entretanto, apenas sete foram construídas, e nem todas funcionam plenamente. No equipamento de Fortaleza, por exemplo, até hoje não funciona o alojamento de passagem, para receber mulheres que não podem voltar às suas residência devido a ameaças de agressão.

Além disso, Socorro França, titular da Secretaria de Proteção Social, Justiça, Cidadania, Mulheres e Direitos Humanos, diz não haver previsão de liberação de recursos pelo Governo Federal para o próximo ano, o que tornaria inviável a continuidade do funcionamento da casa. No entanto, segundo a secretária, o Governo do Estado mostrou disposição em repassar as verbas necessários para a continuidade das atividades.

Dados levantados pelo instituto Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostram que entre fevereiro de 2018 até fevereiro deste ano, 1,6 milhão de mulheres sofreram algum tipo de violência no País, enquanto outras 22 milhões de brasileiras passaram por algum tipo de assédio. Os números brutais de agressões e também de assassinatos, indicam a persistência de uma cultura machista na sociedade brasileira, difícil de erradicar.

Assim, é necessário tenacidade em combater a origem e as consequências dessas crueldades, que se voltam contra as mulheres. n