PUBLICIDADE

Violência angustiante

01:30 | 08/06/2019

O Atlas da Violência, divulgado esta semana, expõe a situação dramática da segurança pública no País. Os dados consolidados de 2017 mostram que, pela primeira vez na história, o Brasil atingiu o patamar de 31,6 homicídios por 100 mil habitantes. É um índice superior ao registrado pelo México (22,5/100 mil), e pela Colômbia (24/100 mil), país que ainda enfrenta uma guerrilha em seu território. O Atlas da Violência é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a partir de dados oficiais do Ministério da Saúde.

Segundo informações do Ipea, o estudo identifica que alguns estados vêm consistentemente diminuindo a taxa de letalidade violenta. Entre 2012 e 2017, 11 unidades da federação tiveram redução de homicídios. Os pesquisadores atribuem o decréscimo de mortes ao fato de o Estatuto do Desarmamento ter freado a corrida armamentista, fazendo reduzir o crescimento de homicídios.

Segundo o estudo, antes do Estatuto do Desarmamento, a taxa média anual de alta dos homicídios por arma de fogo era de 5,44%. Entre 2003 e 2017, os 14 anos posteriores à medida, o crescimento médio anual caiu para 0,85%, percentual seis vezes menor. No entanto, diz o Ipea, a taxa geral aumentou por causa do crescimento desse tipo de crime nas regiões Norte e Nordeste, devido ao crescimento do tráfico de drogas nessas regiões.

Outros dados do Atlas da Violência refletem uma situação recorrente quando se trata de violência. A maior quantidade de mortes concentra-se na população negra - a maioria jovens -, representando 75,5% das vítimas de homicídios. O número de mulheres assassinadas, de maioria negra, também é estarrecedor, registrando-se 13 assassinatos por dia no País, maior número em uma década.

Com relação ao Ceará, foi o estado com maior crescimento no número de homicídios em 2017, alta de 49,2%, com o nefasto recorde histórico de 5.433 mortes violentas intencionais, causados por armas de fogo, disputas relacionadas às drogas e conflitos interpessoais. Em resposta a este jornal, edição de ontem, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) afirma que os homicídios vêm se reduzindo há 13 meses seguidos, sendo que o estudo ainda não pode captar essa realidade. Para a SSPDS, os problemas dos anos anteriores eram reflexo de uma "problemática nacional", que vem sendo trabalhada.

Entretanto, por qualquer aspecto que se observe - ainda que alguns estados demonstrem redução nesse tipo de barbárie -, é trágica a situação que se vive no Brasil, vendo sua juventude ceifada pela violência. Que o estudo sirva para que as autoridades elaborem políticas eficazes para superar esse mal que aflige o País.