PUBLICIDADE

Um possível antídoto para as fraudes virtuais

01:30 | 10/06/2019

É no ambiente virtual, de compras online ou transações bancárias pelo celular ou computador, que acontece quase metade das fraudes financeiras no Brasil. O índice chega a 48% dos negócios via Internet. Foram 8,9 milhões de brasileiros vítimas desses golpes no período de um ano. E 41% dessas ocorrências tiveram a clonagem do cartão de crédito como o meio para a confirmação do crime.

Essas são algumas das informações de um levantamento recém-divulgado pela Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC/Brasil). O estudo só confirma a grande vulnerabilidade do brasileiro, no uso de seu "dinheiro de plástico", na rotina virtual permitida pelo aparelho celular e no tráfego de seus dados enquanto cidadão e consumidor. Por isso a expectativa é grande sobre como será o rigor aplicado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que passa a vigorar a partir de agosto do ano que vem.

Pela LGPD, qualquer empresa de pequeno, médio ou grande porte será obrigada a investir em cibersegurança, não só para blindar o patrimônio ou seus negócios corporativos, mas, fundamentalmente, para resguardar os dados pessoais dos clientes. Terá que prevenir, detectar e remediar eventuais situações. Tanto no momento de uma compra como no próprio cadastro dos dados. O vazamento de informações, ou a simples suspeita disso, e o cidadão deverá ser avisado a respeito.

Será uma nova ordem na vida das pessoas e das empresas. E exigirá também investimentos robustos na praça, como se diz no linguajar comercial. Porque há necessidade de grandes valores para bancar sistemas antifraudes eficientes e que evitem de fato a vulnerabilidade de informações sobre cada indivíduo.

Igualmente, exigirá um acompanhamento rigoroso por parte do Poder Público. Aliás, qual a capacidade atual da gestão pública em assumir esse papel fiscalizador, de monitorar a aplicação da nova lei sobre bases de dados das mais simples às mais complexas? O tônus tecnológico do Estado e da União precisará ser também fortalecido para acompanhar a nova demanda. A LGPD foi sancionada em agosto de 2018. A vigência a partir de agosto de 2020 foi estabelecida como prazo suficiente para empresas se adequarem à nova regra.

Hoje todos veem informações pessoais serem alvo de ações de marketing telefônico ou de programas "robôs" que fazem busca ativa de compradores para negócios nos ambientes virtuais. O contato insistente, quando passa da razoabilidade de uma oferta normal, é tão incômodo quanto a certeza de que qualquer um é potencial vítima de fraude. É situação que ninguém precisa experimentar. Cada um também pode aplicar pequenos cuidados importantes, como senhas e conexão em ambientes confiáveis. Que a LGPD venha como um possível antídoto para tantas fraudes.