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Balanço hídrico: apreensão continua

01:30 | 07/06/2019

Terminada a quadra chuvosa (fevereiro, março, abril e maio), o Ceará finaliza o balanço hídrico para ter uma ideia das reservas existentes para enfrentar os tempos de escassez de água, até o próximo período chuvoso. As notícias não são tranquilizadoras, pois as chuvas caídas durante o período findo não trouxeram grandes aportes ao que estava armazenado. No todo, choveu apenas 12,6% acima da média normal (que é de 676,3 milímetros). E olhe-se que foi o melhor resultado dos últimos sete anos.

Como sempre, houve muita disparidade na oferta proporcionada por cada região do Estado. O que leva à necessidade de se manter um esquema rigoroso de acompanhamento para evitar surpresas desagradáveis. Sobretudo, porque que ainda não foi dessa vez (em maio último) que se concluiu o pequeno trecho final da transposição das águas do rio São Francisco, como estava prometido pelo governo federal. Deu bolo outra vez.

Em termos quantitativos, as chuvas trouxeram um aporte de 2,75 milhões m³ de água no sistema de abastecimento. Alcançando, com isso, 21,46% da capacidade de armazenamento. Não mudou o desequilíbrio de armazenagem entre as regiões do Estado. Pareceu cumprir o dito paradoxal do Evangelho: "A quem tem, mais se dará". Ou seja, "o que estava bom ficou melhor ainda, e quem estava ruim, ano passado, ficou pior", na comparação feita pelo secretário estadual de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira, durante divulgação do balanço da quadra chuvosa.

Sempre que as chuvas não ultrapassam a média pluviométrica, ou ficam pouco acima desta, os resultados são modestos em termos de aporte ao sistema hídrico do Ceará. Não há muito o que temer para a região centro-norte e a Serra da Ibiapaba. No restante, de um modo geral, o quadro continuou o mesmo, com pequenas pioras localizadas. No caso de Fortaleza, a estimativa é que as reservas durem cerca de um ano. Depois disso, se não chover, as perspectivas se tornam problemáticas. Basta dizer que no ano passado (2018), o Castanhão estava, a esta altura, com 8,48% de seu potencial. Atualmente, alcança apenas 5,5%. Dos 155 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), seis estão secos, 18 em volume morto e outros 72 com menos de 30% de sua capacidade total.

A parte mais crítica mesmo (cerca de dez municípios) vai precisar de medidas emergenciais para obter água potável, já a partir do próximo mês. Outro número igual, a partir de outubro. Poderia ser diferente, mas não foi. Brasília continua insensível à angústia que o Ceará carrega nas costas, há séculos. Essa é uma luta que deve mobilizar a sociedade inteira. Que o diga a representação cearense e nordestina no Congresso Nacional.