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Monsenhor Tabosa: o desafio de voltar à tona

01:30 | 04/06/2019

A adequação da avenida Monsenhor Tabosa às novas demandas econômicas e culturais de Fortaleza é uma das boas novidades que circularam estes dias para quem tem guardadas na memória as lembranças de um dos polos comerciais de confecções e produtos de couro e artesanatos dos mais conhecidos, além fronteira do Estado. Vir à capital cearense sem incluir uma passagem pelas lojas daquele corredor da moda tornava incompleto o tour dos visitantes.

Uma fama que começou nos anos de 1970, acompanhando os altos e baixos da economia brasileira, até receber uma rasteira na crise iniciada em 2014, com os equívocos econômicos do governo de então e seu agravamento por um Congresso Nacional irresponsável, empenhado em paralisar a administração federal com pautas bombas transformadas em petardos para paralisá-lo e servirem de pretexto para um impeachment de consistência jurídica duvidosa que, desde então, cindiu o País.

Claro, não foi só a avenida Monsenhor Tabosa a sofrer os reflexos da crise, mas a economia brasileira, como um todo (menos os bancos). O que se passou naquele micro-espaço econômico poderia ser lido como uma síntese das dificuldades que afetam o País. Ou seja, os fatos macros na ordem política e administrativa foram condicionamentos fundamentais para a quase inviabilização dos negócios, em decorrência da diminuição do poder aquisitivo dos clientes. Claro, também ocorreram fatores paralelos, como o surgimento de novos espaços de exploração turística, fazendo aumentar a concorrência. Tais como: Mercado Central, Emcetur (Centro de Turismo do Ceará) e a feirinha da avenida Beira-Mar. Ou as confecções instaladas no entorno da avenida, tanto em direção à Praia de Iracema como ao Centro.

Sem falar na mudança do perfil do consumidor. Saíram os corretores de moda e entraram os sacoleiros. As marcas locais, o maior valor agregado, o tipo específico de tecido e de acabamento foram deixados de lado para se destacar exclusivamente a competição de preços, como regra de sobrevivência. Esse critério, porém, é uma faca de dois gumes, leva ao desastre inevitável quando se depara com a importação de produtos baratos da Ásia. Além disso, proliferaram os shopping centers, preferidos por oferecerem segurança e unirem o útil ao agradável: o ato de comprar e a fruição de um ambiente de diversão e serviço.

A resposta a isso é desenvolver uma economia criativa, transformando a Monsenhor Tabosa num corredor turístico acoplado ao que liga o Centro de Fortaleza à Praia de Iracema, aliando comércio tradicional, serviços, gastronomia, cultura e arte, tal como está sendo projetado pelo Programa Fortaleza Competitiva da Prefeitura Municipal. É o que vale conferir, daqui para frente.