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Obras inacabadas

10:11 | 02/06/2019

A crise econômica provocou retração expressiva na construção civil no Ceará, segundo a Pesquisa Anual da Indústria de Construção (Paic) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada esta semana. Os dados apontam que, em três anos (2014-2017), 41 empresas saíram do mercado e aconteceram 42,8 mil demissões. Percentualmente, houve redução de 36,52% em relação à movimentação de 2006, que atingiu R$ 11,5 bilhões, caindo para R$ 7,3 bilhões em 2007.

A situação é parecida com o que ocorre no restante do País. A média de ocupação na construção civil caiu pela metade, tendo 30 trabalhadores por empresa em 2007, número que diminuiu para 15 em 2017, consequência da redução das obras no setor público. Recente auditoria do Tribunal de Contas da União mostrou que mais de um terço das obras financiadas com recursos da União estão paralisadas, já tendo consumido R$ 10,8 bilhões de verbas públicas.

No Ceará, de acordo com levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, 33% das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão inacabadas. São 791 construções no Estado, sendo que 262 estão paradas. Constituem-se obras de grande interesse social, como de infraestrutura, na área energética e de logística. Além do estrago que provoca nos cofres públicos, há também o prejuízo à população, que fica impedida de usufruir dos benefícios que essas obras proporcionariam.

A queda dos investimentos no setor deriva-se do "cenário de baixo crescimento, instabilidade econômica e incertezas institucionais", segundo a gerente de Pesquisas Estruturais e Especiais do IBGE, Fernanda Vilhena, em entrevista a este jornal (edição de 30/5/2019). Esse cenário fez com que o setor de construção perdesse, no período, o dinamismo que o caracterizava, com consequências danosas para a economia.

A retomada dos negócios na construção civil poderia contribuir para a redução do desemprego, pela capacidade de absorver mão de obra, própria do setor. Mesmo com as reconhecidas dificuldades financeiras do governo, o ministro Paulo Guedes poderia estudar alguma forma de destravar as obras públicas paradas, de modo a dar um alento à economia.