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A crise se agrava

01:30 | 01/06/2019

Esta semana três fatos indicam que o governo do presidente Jair Bolsonaro precisa tomar alguma providência urgente para tentar tirar o País da crise, que se agrava. Houve recuou no Produto Interno Bruto (PIB), a taxa de desemprego mostra-se persistente, e os estudantes demonstram capacidade de fazer-lhe oposição nas ruas, ainda que os atos de quinta-feira tenham sido menores do que os realizados em 15/5/2019.

A taxa de desemprego, no trimestre encerrado em abril, teve leve oscilação para baixo, fechando em 12,5% - representando 13,2 milhões de desempregados - ante o percentual do período concluído em março, em 12,7%. O índice de força de trabalho subutilizada fechou o trimestre com 24,9%, somando 28,4 milhões de pessoas, recorde desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou a série histórica em 2012, com alta de 3,9% no trimestre. A taxa de subutilização inclui os desempregados; aqueles que trabalham menos horas do que gostariam; os que deixaram de procurar emprego por desalento; e a força de trabalho em potencial, pessoas disponíveis para o mercado, mas que, por algum motivo, não podem trabalhar.

Esses índices revelam que o desemprego não dá sinais de que vá ceder. Outro agravante é o recuo do PIB, em 0,2%, no primeiro trimestre deste ano, conforme estudo do IBGE, o que aponta para uma recessão, caso nenhuma providência seja tomada para reverter o problema.

É certo que alguns fatores externos - sobre os quais, o governo não tem poderes para intervir de maneira significativa - trazem consequência negativas para o Brasil. Mas existem medidas que podem ser tomadas internamente, algumas, inclusive, que independem de recursos, porém de um mínimo de bom senso. Uma delas seria pacificar a própria base aliada do governo, ampliando a sua capacidade de interlocução com o Congresso Nacional, de modo a concluir a reforma da Previdência, por exemplo.

A impressão que passa para o público em geral é que a País está em suspenso, esperando essa votação para que outras proposições possam ser encaminhadas. Mas, existem outras medidas que poderiam ser implementadas, de modo a estimular a economia. O que não é saudável é essa espécie paralisia, que vai corroendo a confiança do setor produtivo, que fica temeroso em fazer investimentos, pois não consegue vislumbrar o que pode acontecer em um futuro próximo.

A realidade é que o otimismo que cercou a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência da República vem refluindo muito rapidamente, inclusive entre os agentes do mercado. Assim, a oportunidade de o governo implementar as reformas prometidas durante a campanha afunilam-se, ficando cada vez mais distantes. Um tempo que o Brasil não pode esperar.