PUBLICIDADE

Como será implementado o plano para o Nordeste?

01:30 | 25/05/2019

Depois de cinco meses de governo, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) visita o Nordeste - chegou ontem e fica até hoje em Pernambuco -, região na qual ele perdeu as eleições para o adversário Fernando Haddad (PT) nos seus nove estados. Também é por aqui que ele continua sendo rejeitado pela maioria da população, que lhe dá os menores índices de popularidade, segundo as pesquisas. Para a oposição, o presidente demorou para fazer a visita; para seus aliados, ele veio na hora certa, e as propostas para a região seriam a prova de seu apreço pelos nordestinos.

Antes de prosseguir, é preciso lembrar que somente o fato de o Nordeste ser considerado uma local de carência, que precisa de um plano diferenciado para desenvolver-se, demonstra que a região sempre foi relegada a uma ordem secundária, desde que o Brasil é Brasil. Por óbvio, isso não é responsabilidade do atual presidente, mas fruto de um descaso secular, que precisa ser superado.

As propostas para o Nordeste, apresentadas pelo governo, estão enfeixadas em um plano com seis eixos, os seguintes: inovação (busca de soluções tecnológicas para os problemas); desenvolvimento das capacidades humanas (educação); dinamização e diversificação produtiva (energias renováveis e comunicação); desenvolvimento social e urbano (saneamento básico); e segurança hídrica e conservação ambiental (integração do rio São Francisco). É preciso saudar a iniciativa, pois demonstra a preocupação governamental em pensar propostas para a região. Entretanto, é preciso dizer que o plano mais parece um programa eleitoral, pois as propostas vêm acompanhadas de poucas ações concretas, e nem se dimensionou os recursos necessários para alcançar os objetivos propostos.

Como publicou este jornal na edição de ontem, o ministro do Desenvolvimento Regional Gustavo Canuto - que acompanha o presidente na visita - afirmou que o plano será "um marco para o Nordeste", pois acaba com as "ações difusas, isoladas" para criar "algo que sistematicamente faça sentido e desenvolva a região". Mas, quando perguntado quanto seria o dispêndio para implementar o projeto, em um período de contingenciamento de verbas, a sua resposta foi dizer que não tinha como "dar uma ideia mais precisa" do custo, pois ainda havia "muito caminho pela frente". Imagina-se que um dos elementos centrais de um plano de desenvolvimento é calcular o investimento necessário para realizá-lo, informando de onde sairão os recursos.

De qualquer modo, não se pode, a priori, reprovar a iniciativa, pelo contrário, o correto é incentivá-la, pois apresenta medidas que, caso implementadas, resultarão em inegáveis benefícios à região. Portanto, o que se deve fazer, a partir de agora, é acompanhar os acontecimento e cobrar das autoridades a concretização das propostas.