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Enfoque regional do nacional

01:30 | 17/05/2019

As manifestações de rua contra o corte de recursos para a educação pública estrearam, ao que tudo indica, uma nova etapa na articulação da sociedade em prol de seus direitos (assim deverá ser entendido pelas autoridades, se houver tirocínio) e deram ensejo também a que o olhar regional pudesse expressar-se de modo diferenciado na percepção da crise. Isso pôde ser visto de várias maneiras, inclusive, no âmbito jornalístico. Basta ver a experiência de cobertura unificada levada a cabo por três jornais regionais de reconhecido prestígio nacional: O POVO (CE), Correio (BA) e Jornal do Commércio (PE), reunidos na Rede Nordeste, criada exatamente há um ano e que agora teve seu "batismo de fogo" na estreia do programa Conexão Nordeste, através das redes sociais.

A Rede Nordeste é apenas mais uma sinalização de que a região dá passos significativos, em vários âmbitos, para assumir o papel que lhe cabe dentro do pacto federativo. Longe de significar qualquer namoro com o fantasma do separatismo, a afirmação regional ajuda a Federação a caminhar mais harmonicamente e com maior eficácia, visto que implica em promover a unidade nacional a partir de círculos concêntricos de organização que se integram num círculo maior, dando ensejo à junção e complementação de seus diferentes níveis de desenvolvimento, sem esmagamento dos retardatários.

Este jornal, aliás, já demonstrou simpatia pela elevação da região à condição de ente federativo. Embora no presente o Nordeste se apresente mais homogeneizado, politicamente e ideologicamente (o que é uma vantagem), no passado recente prevalecia a disputa insana entre os estados que o compõem, o que enfraquecia a região perante o poder central.

O fato de as disparidades regionais estarem se acentuando aceleradamente já seria motivo para o Nordeste assumir uma posição de alerta. Seria omitir-se guardar para si as contribuições que poderia oferecer para a construção de um projeto nacional mais assentado na realidade circundante. Os governos estaduais e municipais da região e seus parlamentos estão respaldados igualmente pela legitimidade conferida pelos votos dos cidadãos depositados nas urnas e têm direito a reivindicar que seus pontos de vista sobre a forma de resolver a presente crise sejam também levados em conta. Têm muito o que dizer, por exemplo, em relação ao modelo de previdência mais adequado à nossa realidade e ao modelo econômico, em geral.

À potencialidade econômica do Nordeste e à sua projeção política somam-se agora as particularidades de um jornalismo compromissado em adicionar a nuance regional ao costumeiro retrato monocromático nacional, como tenta a Rede Nordeste, dentro do conceito holístico de que o todo está contido igualmente na parte, e não apenas esta, no todo.