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Ensino público: paralisação e pluralidade

01:30 | 15/05/2019

O sistema público de ensino brasileiro programou para hoje uma paralisação nacional em suas atividades para demonstrar sua contrariedade com as orientações imprimidas pela atual administração federal à Educação pública em geral, sobretudo o contingenciamento de verbas que afeta do ensino infantil aos cursos de pós-graduação. O bloqueio particular de R$ 2,2 bilhões na verba destinada às universidades e institutos federais, somado à retração dos investimentos em ciência, pesquisa e extensão, é acusado de inviabilizar o funcionamento das universidades, despojando-as dos instrumentos necessários à formação e difusão do conhecimento, nos moldes exigidos pela realidade contrastante de um País dotado de imensas potencialidades econômicas, mas, travado por profundas desigualdades sociais. A torcida é para que tudo transcorra em paz, durante o dia, pois manifestações públicas de descontentamento fazem parte do jogo democrático. Espera-se que, tanto governo como manifestantes, se conduzam com a maturidade democrática que a Nação espera de ambos.

Reitores das universidades públicas têm conclamado a comunidade acadêmica para esse debate, considerando que os cortes de verba na área são um "equívoco estratégico" e têm consequências para o desenvolvimento do País. Ainda mais porque, embora atinjam de forma mais imediata às universidades federais, na verdade afetam também as estaduais, uma vez que estas recebem verbas de financiamento de agências de fomento ligadas ao governo federal.

Além do contingenciamento na educação, estudantes e professores protestam contra mudanças nas diretrizes de ensino, citando, por exemplo, alterações no teor das questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, sobretudo, o projeto de lei Escola sem Partido.

De fato, o governo federal, desde sua posse, vem manifestando uma falta completa de tirocínio na administração de área tão fundamental para o destino do desenvolvimento brasileiro. Suas escolhas para dar rumo à pasta da Educação foram profundamente infelizes, sobretudo pela ideologização extrema das intervenções de seus titulares e de suas respectivas diretrizes, transformando a Educação num campo de batalha ideológica extrema, sob o pretexto de investir contra um suposto "marxismo cultural" que deveria ser extirpado, segundo eles, desde a raiz. Em seu lugar, pretenderiam impor uma matriz ideológica tradicionalista e propensa a repelir a pluralidade de pensamentos, justamente num ambiente que tem como fundamento de sua existência e de sua viabilidade o pensamento crítico, fonte e alimento do conhecimento. Como já foi dito, neste mesmo espaço, a sociedade brasileira já é suficientemente complexa e sofisticada para se submeter às estreitezas de um fundamentalismo tão descabido.