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Endividamento e desemprego

01:30 | 12/05/2019

Às altas taxas de desemprego vem juntar-se, talvez como consequência, outro problema a afligir os brasileiros. Como divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no trimestre fechado em fevereiro, o índice de desocupação ficou em 12,4%, acima dos 11,6% registrados no período encerrado em novembro. A taxa de subutilização da força de trabalho ficou em 24,6%, somando 27,9 milhões de pessoas nessa situação precária, pico de uma série histórica iniciada em 2012.

Já a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostra uma outra face dos tempos difíceis pelos quais o País vem passando. Em março, o percentual de famílias endividadas alcançou 62,4%, aumento de 1,2 ponto percentual, se comparado a março do ano passado, sendo também o maior patamar, desde setembro de 2015. Na comparação mais próxima, é a terceira alta mensal consecutiva de taxa de endividamento.

No quesito mais específico, de dívidas ou contas em atraso, também houve oscilação, passando de 23,1%, em fevereiro, para 23,4% em março. Em contrapartida aconteceu pequena redução, de 25,2% para 23,4% no percentual de famílias inadimplentes, comparando com março de 2018. Outro dado importante é que o percentual de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas em atraso e que, portanto, continuariam inadimplentes, aumentou de 9,2% em fevereiro para 9,4% em março deste ano. O uso do cartão de crédito foi apontado como o principal problema por 78% das famílias endividadas, seguido por carnês (14,4%) e financiamento de carro (10%).

Uma parte do endividamento pode-se atribuir à falta de educação financeira, que atinge boa parte da população brasileira, inclusive porque não é disciplina ministrada nas escolas - pelo menos na maioria -, nem mesmo como tema transdisciplinar.

Por outro lado, há de se admitir que a maior dificuldade mesmo é a falta de empregos, o que só poderá ser superado com o crescimento econômico, o que deveria ser a principal preocupação das autoridades brasileiras.