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Fim do horário de verão?

11:30 | 15/04/2019

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que este ano extinguiria o horário de verão, providência que obriga a 10 estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e o Distrito Federal a adiantarem os relógios por uma hora, entre os meses de novembro e fevereiro de cada ano. Esse procedimento foi adotado com o intuito de economizar energia: como no período de verão os dias são mais "longos" é possível aproveitar por mais tempo a claridade natural. No entanto, mudanças no hábito de consumo - maior uso do ar-condicionado, por exemplo - estão tornando a economia de energia cada vez menor.

Mesmo onde não vigora o horário de verão, a mudança provoca problemas. A diferença de horário termina por provocar distúrbios em setores econômicos, como bancos - devido à compensação de valores -, comércio e emissoras de rádio e TV, que tem de adaptar a grade de programação. E, nos locais onde vigora o horário de verão, especialistas médicos alertam para as alterações provocadas no organismo pelo adiantamento nos ponteiros do relógio: dificuldades para dormir, sonolência durante o dia, alterações de humor, mal-estar e dificuldade de concentração.

Dados do Ministério de Minas e Energia mostram que o Brasil economizou cerca de R$ 1,4 bilhão desde 2010 por adotar o horário de verão, com queda média de 0,5% no consumo de energia. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), entre 2010 e 2014, houve economia de R$ 835 milhões para os consumidores, devido à redução do consumo. Mas, desde 2013, quando foram economizados R$ 405 milhões, observam-se quedas constantes, chegando a R$ 147 milhões em 2016, último dado disponível.

Para os defensores da continuidade da medida, mesmo uma pequena conservação de energia torna-se significativa, inclusive do ponto de vista ambiental. Por isso, defendem mais estudos antes de tomar a decisão de suspender a providência. O que parece certo é que o propósito original para a implementação do horário de verão - a economia de energia - torna-se um argumento cada vez mais fraco para manter a sua continuidade.